Ministério Público da Bahia (MPBA) promoveu em 27 de novembro uma audiência com o objetivo de discutir medidas de proteção às religiões de matriz africana tendo ponto principal o caso envolvendo a artista baiana Cláudia Leitte, acusada de racismo religioso após alterar a letra de uma de suas músicas em seus shows, substituindo “Iemanjá” por “Yeshua”.
A grande maioria dos participantes do evento eram militantes oriundos de universidades e movimentos culturais e religiosos.
O Ministério Público da Bahia (MPBA) promoveu em 27 de novembro uma audiência com o objetivo de discutir medidas de proteção às religiões de matriz africana tendo ponto principal o caso envolvendo a artista baiana Cláudia Leitte, acusada de racismo religioso após alterar a letra de uma de suas músicas em seus shows, substituindo “Iemanjá” por “Yeshua”.
A grande maioria dos participantes do evento eram militantes oriundos de universidades e movimentos culturais e religiosos.
As entidades que participaram do debate levaram a MP sugestão de impor uma indenização no valor de R$ 10 milhões a ser arcado por Cláudia Leitte, destinada ao fomento de campanhas contra o racismo religioso.
Além disso, será solicitado que a artista suspenda a apresentação da música “Caranguejo” ou, alternativamente, mantenha sua letra original.
Os grupos presentes na audiência também cogitam a possibilidade de que o inquérito civil instaurado até o momento contra Cláudia seja convertido em um processo criminal.
Essa decisão caberá à promotoria e dependerá ainda da autorização do Judiciário para efetivação dos pedidos apresentados pelas entidades.
A denúncia contra a cantora foi feita pela iyalorixá Jaciara Ribeiro e pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro).
Anajure defende a liberdade de expressão e de religião
A Anajure (Associação Nacional de Juristas Evagélicos) representada pelo advogado Iannick Sucupira Curvelo, defendeu o direito da artista de adaptar seu repertório musical às suas crenças religiosas, argumentando que tal ação não deve ser interpretada como uma forma de racismo ou ataque às tradições religiosas africanas.
A Anajure expressou preocupação com a clara parcialidade que permeou as discussões durante o encontro. A reação dos militantes presentes, porém, gritar palavras de ordem, dificultando um diálogo construtivo no auditório e transformando a audiência em um espaço conflituoso.
A organização reafirmou seu compromisso em promover um debate equilibrado e respeitoso, buscando garantir que diferentes perspectivas sejam ouvidas.
Além disso, anunciou que continuará sua atuação técnica em relação ao caso que originou a audiência, defendendo sempre a liberdade religiosa da cantora Cláudia Leitte.
A advogada Alzemeri Martins, do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR), pediu aos presentes para considerar que Claudia Leitte tem sua própria fé e deve ser respeitada nesse aspecto.
No entanto, sua declaração também gerou descontentamento entre a militância presente na audiência, com algumas vozes expressando indignação ao ouvir seus argumentos.
Fonte: O antagonista