Agência Senado/Agência Câmara
A velha imprensa, geralmente alinhada ao establishment, grandes corporações e, em particular, ao governo, tem evitado abordar os aspectos negativos para o governo Lula em relação às recentes eleições na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Desde que Lula assumiu a presidência, as portas do Congresso Nacional se abriram para seu governo. Na Câmara, com Arthur Lira, a PEC da Transição permitiu ao governo começar seus trabalhos com 200 bilhões de reais fora do teto de gastos. No entanto, a relação entre o Executivo e o Legislativo vem se deteriorando, com o governo tentando manobrar emendas parlamentares. Isso foi evidenciado no discurso de posse do novo presidente da Câmara, onde a interpretação do governo e da velha imprensa foi de que a “luta pela democracia” seria contra a oposição de Lula. No entanto, o novo presidente da Câmara fez questão de enfatizar a Constituição, sinalizando que nenhuma instituição pode sobrepor-se a ela, incluindo o STF.
No Senado, a relação de subserviência de Rodrigo Pacheco ao governo Lula é vista como um caso atípico que não deve se repetir sob a presidência de Davi Alcolumbre. Poucos sabem, mas Alcolumbre tem uma proximidade maior com Jair Bolsonaro do que com Lula. Pragmatismo define sua postura, focando no que é benéfico para ele e seu grupo. Ele não deverá ser tão leniente com os excessos de outros poderes que contaram com o apoio de Pacheco. Além disso, Alcolumbre enfrentará uma disputa difícil para a reeleição em 2026 em um possível cenário onde o Senado se torne mais conservador. Para garantir sua reeleição em um contexto de grande renovação, ele terá que adotar uma postura mais crítica em relação às decisões “excepcionais” do STF, trabalhar para acabar com a perseguição à oposição através de inquéritos abertos de ofício pelo STF, ou assegurar que o centrão continue dominando o cenário político até 2026. Tudo indica que os próximos anos não serão tranquilos para um governo que até então vinha navegando em águas calmas.
Por Júnior Melo

