Em entrevista ao ALive desta terça-feira (28), o senador Sergio Moro (PL-PR) afirmou que o governo Lula (PT) “não está seguro” de que tem os votos necessários para a aprovação de Jorge Messias como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na visão de Moro, um exemplo disso é a sua saída da CCJ do Senado, que sabatinará amanhã (29), a partir das 9h, o indicado de Lula (PT). Moro era membro titular da comissão, mas explicou que a composição de vagas dela havia sido feita quando ele era filiado à União Brasil.
O senador disse que, mesmo a troca sendo permitida, ele foi “rifado” e “retirado” sem ao menos ter sido avisado: “Fiquei sabendo pela imprensa. Achei que foi de uma brutalidade e uma indelicadeza muito grave”.
Para ele, isso “é um retrato de que o governo não está seguro de que tem os votos necessários pra aprovação do AGU Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal”.
“Além disso, parece que quer trabalhar pra ter uma sabatina menos transparente do que ela deveria ser. Porque como membro da oposição, eu faria um questionamento, claro, respeitoso, mas duro. Eu faria as questões que as pessoas querem que sejam respondidas pelo candidato a essa vaga no Supremo Tribunal Federal”, afirmou o ex-juiz da Lava Jato.
“É jogo do político a substituição, embora eu ache uma manobra reprovável, mas é jogo político, já que eu não estou mais no partido, mas reflete uma apreensão do governo em relação ao sucesso da aprovação do indicado”, continuou Moro.
O senador disse também que é contra Messias no STF e que vai votar contra seu nome: “Eu acho que o Supremo vive um momento muito delicado, e não é hora de colocar mais alguém lá. Nós precisamos primeiro recompor a imagem do Supremo”.
“Isso significa a tomada de uma série de medidas em relação à Corte Suprema”, completou, reafirmando que sua retirada da CCJ “confirma que há uma apreensão e uma insegurança do governo em relação a essa sabatina” de Messias.
“Com essa mudança de composição na CCJ, é provável, é mais provável que seja aprovado realmente na CCJ, mas isso não garante os votos necessários no plenário”, afirmou o senador.
Moro também disse que matérias publicadas na imprensa que constam que Messias já tem votos para ser aprovado fazem parte de uma projeção “muito otimista do governo e, no fundo, uma tentativa de falar que o jogo já está jogado”.
“Pelo que a gente ouve aqui nos corredores, não me parece que seja o caso”, continuou o ex-juiz da Lava Jato.
“Há todo um ambiente, a meu ver, que não recomenda que essa votação seja feita agora. O melhor seria suspender tudo. Joga lá para depois das eleições”, afirmou Moro, que completou: “Mas não me parece que há uma aprovação garantida pelo governo, não”.
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