Defesa do senador argumenta que declaração feita em convenção do PDT repete discurso já alvo de notícia-crime no STF
Advogados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolaram nesta terça-feira (28) uma nova petição no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento foi enviado ao ministro Kassio Nunes Marques, relator de uma notícia-crime apresentada em junho contra o petista.
Lula voltou a associar a ideia de “traição à pátria” à pena de morte por enforcamento durante discurso feito em 20 de julho, na convenção do PDT, em Brasília.
Na ocasião, o presidente afirmou que, no passado, quem traía o país era enforcado e hoje há “mais de um traidor” que recorre aos Estados Unidos para pedir sanções contra o Brasil. A frase se refere ao senador.
A nova petição classifica o episódio como “fato superveniente” e pede que seja apurado em conjunto com a notícia-crime já apresentada, quando a defesa do senador acusou Lula de incitação ao crime e ameaça.
À época, em discurso feito em Catalão, no interior de Goiás, o presidente afirmou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mereciam ser enforcados ao chamá-los de “traidores da pátria”:
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele, são vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores?”, disse Lula.
Para os advogados, a repetição do discurso, mesmo após a primeira notícia-crime ter repercutido na imprensa, demonstra que não se trata de uma fala isolada. A petição também argumenta que declarações feitas pelo presidente têm peso e alcance diferentes das de outros políticos, o que ampliaria o risco à integridade do senador.
Com a nova manifestação, a defesa de Flávio pede ao STF que os dois episódios sejam investigados em conjunto.