Mesmo projetando encerrar as eleições de outubro com a maior bancada do Senado, com 28 parlamentares, o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro deverá continuar dependendo do apoio de partidos alinhados às pautas bolsonaristas para aprovar propostas como a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
No Senado, projetos de lei exigem maioria simples para aprovação. Propostas de emenda à Constituição (PECs) dependem de, no mínimo, 49 votos, enquanto processos de impeachment contra ministros do STF ou contra o presidente da República exigem o apoio de 54 senadores.
Antes de ser preso, Jair Bolsonaro apontava a formação de uma ampla bancada no Senado como prioridade para 2026 e defendia ampliar a influência do grupo na Casa.
“Com metade do Senado, vou mandar mais que o presidente da República. Não adianta ele (o presidente) indicar o João (nome fictício) para o Supremo, que eu falo para o pessoal ‘aprova ou não aprova’.”
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou acreditar que o partido poderá ampliar significativamente sua representação.
“Do jeito que estão as avaliações, e mesmo de outros partidos, nós temos oito senadores hoje que não vão disputar (governo), que tem mais quatro anos de mandato. Então, nós devemos fazer mais 20 senadores.”
Atualmente, o PL possui 16 senadores. Desses, 11 foram eleitos em 2022. Segundo Valdemar, três integrantes da bancada devem disputar governos estaduais: Sérgio Moro, no Paraná, Wellington Fagundes, no Mato Grosso, e Marcos Rogério, em Rondônia.
O partido pretende lançar candidatos ao Senado em 24 estados. No Amapá, não haverá candidatura própria. Já no Maranhão e em Pernambuco, as definições ainda não foram concluídas.
Mesmo que a projeção de 28 senadores se confirme, a bancada ficaria distante dos quóruns necessários para aprovar propostas constitucionais ou processos de impeachment sem o apoio de outras legendas. Parte desses partidos, inclusive, já sinalizou que poderá integrar uma eventual base do governo Lula caso o presidente seja reeleito.
Michelle Bolsonaro é aposta no Distrito Federal
Entre as principais apostas do partido está a disputa no Distrito Federal. Valdemar afirmou esperar a eleição de Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis para as duas vagas em disputa.
“Tem muita chance, porque a Michelle vai estourar na frente. A Michelle, quando sai para a rua, a situação dela muda da água para o vinho.”
O dirigente lembrou que, em 2022, Michelle participou da campanha de Damares Alves, que acabou eleita senadora pelo Distrito Federal.
Em Santa Catarina, o partido também projeta conquistar as duas cadeiras em disputa com Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, substituindo Esperidião Amin e Ivete da Silveira.