Ashish Jha afirmou ter mudado de posição após analisar novas evidências
O médico Ashish Jha, ex-assessor do presidente Joe Biden para a resposta à Covid-19, afirmou que considera um vazamento acidental em um laboratório de Wuhan, na China, como a hipótese mais provável para a origem da pandemia. A declaração foi dada em entrevista à CNN e marca uma mudança em relação ao entendimento que o especialista defendia no início da crise sanitária.
Segundo Jha, quando passou a integrar a Casa Branca, em 2022, sua avaliação era de que o coronavírus provavelmente havia surgido de forma natural, embora a possibilidade de um acidente em laboratório não estivesse descartada. Após analisar novas informações, ele disse ter mudado de conclusão.
“Quando entrei na Casa Branca, minha visão era de que isso quase certamente havia sido um surto de origem natural, talvez um vazamento de laboratório. Com base nas informações que obtive e nas que vi desde então, cheguei à conclusão de que é mais provável que tenha sido um vazamento de laboratório”, afirmou.
Apesar da avaliação, o ex-assessor ressaltou que não há uma resposta definitiva sobre a origem do vírus.
“Essa é a minha melhor avaliação. Não estou sugerindo que sei ao certo, mas estou dizendo que minha melhor avaliação é que provavelmente foi um vazamento de laboratório”, declarou.
Em publicação na rede social X, Jha reiterou que sua posição não é recente e afirmou que as evidências circunstanciais apontam para um acidente em laboratório, mas descartou a hipótese de que o vírus tenha sido criado ou liberado intencionalmente.
“Qualquer um que te diga que sabe está te vendendo algo. Com base em fortes evidências circunstanciais que vi, acho que vazamento de laboratório é muito mais provável. Não projetado. Não deliberado. Acidental”, escreveu.
O médico acrescentou que pessoas razoáveis podem analisar os mesmos elementos e chegar a conclusões diferentes sobre a origem da pandemia.
As declarações ocorrem em meio à divulgação de mais de mil páginas de diários, e-mails e anotações do ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (Niaid), Anthony Fauci. Os documentos mostram que, já em 31 de janeiro de 2020, cientistas discutiam tanto a hipótese de transmissão natural quanto a possibilidade de um acidente em um laboratório de Wuhan, sem consenso entre os especialistas.
Os registros também revelam debates internos sobre a comunicação do governo americano durante a pandemia, incluindo discussões sobre a eficácia das vacinas e estratégias para divulgação de informações ao público.
Na semana passada, Fauci compareceu à Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado dos Estados Unidos. Durante o depoimento, invocou a Quinta Emenda da Constituição americana e recusou-se a responder perguntas sobre decisões tomadas durante a pandemia e sobre a origem da Covid-19.
O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence também voltou a comentar o assunto. Segundo ele, durante o primeiro governo de Donald Trump, questionou Anthony Fauci diversas vezes sobre a possibilidade de o coronavírus ter escapado de um laboratório em Wuhan, mas recebeu reiteradas negativas.
“Estou preocupado com o fato de que, até hoje, não responsabilizamos a China por um vírus que custou a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo”, afirmou Pence.