A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nova fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, aponta que a casa utilizada como residência pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA), no Lago Sul, em Brasília, foi adquirida por uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro.
Nesta terça-feira (4), a Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF contra Willer Tomaz, familiares e pessoas ligadas ao senador. Durante a operação, os agentes apreenderam dinheiro em espécie e uma máquina de contar cédulas.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e teve origem na Operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema de fraudes em descontos associativos sobre benefícios do INSS. Segundo a decisão judicial, a hipótese da Polícia Federal é que empresas, imóveis e outras estruturas patrimoniais tenham sido utilizados para ocultar a origem de recursos sob investigação.
De acordo com a decisão de André Mendonça, a Polícia Federal identificou indícios de que Weverton Rocha participou das negociações para a compra do imóvel. Conforme a apuração, durante as tratativas foram discutidos um pagamento inicial de R$ 4 milhões e um saldo de R$ 2 milhões.
Apesar disso, segundo os investigadores, a aquisição foi formalizada em abril de 2023 pela WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa vinculada a Willer Tomaz, pelo valor de R$ 6 milhões.
Para a Polícia Federal, a divergência entre o proprietário registrado do imóvel e quem seria o beneficiário econômico da residência é um dos principais elementos analisados nesta etapa da investigação.