Maria Luiza Ribeiro Viotti, 1ª mulher a comandar a Embaixada do Brasil nos EUA, teve o seu visto revogado ontem (04) pelo governo norte-americano. A diplomata estava à frente da representação brasileira em Washington desde 2023, quando foi indicada por Lula (PT) para o posto.
A medida do governo Trump é uma resposta diplomática à recusa do governo petista em conceder o agrément a Daniel Perez, embaixador indicado pela Casa Branca para Brasília, e ocorre após o impedimento à visita de dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA.
Natural de Belo Horizonte (MG), Viotti ingressou na carreira diplomática em 1976, após concluir o Curso de Preparação à Carreira de Diplomata do Instituto Rio Branco (IRBr). Em 1978, formou-se em economia pela Associação de Ensino Unificado de Brasília e, em 1981, recebeu o título de mestre em Economia pela Universidade de Brasília (UnB).
Em 1992, atuou como professora de História das Ideias Políticas no Instituto Rio Branco. Três anos depois, foi aprovada no Curso de Altos Estudos da instituição com a tese “O Gás nas Relações Brasil-Bolívia”.
Na carreira diplomática, Viotti foi promovida a Conselheira em 1990, a Ministra de Segunda Classe em 1997 e a Ministra de Primeira Classe em 2006, o mais alto nível da diplomacia brasileira.
Ao longo de quase cinco décadas de atuação, ocupou cargos estratégicos na política externa do Brasil. Foi embaixadora e representante permanente do país na Organização das Nações Unidas (ONU), embaixadora do Brasil na Alemanha e chefe de gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, entre 2017 e 2021.
No Ministério das Relações Exteriores (MRE), comandou o Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais entre 2004 e 2006 e o Departamento de Organismos Internacionais de 2006 a 2007. Também exerceu a função de subsecretária-geral para Ásia e Pacífico e atuou como sherpa do Brasil no Brics.
No exterior, Viotti foi conselheira na Embaixada do Brasil na Bolívia, em 1993; ministra-conselheira na Missão junto à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em 1999; embaixadora e representante permanente do Brasil na ONU, de 2007 a 2013; e embaixadora do Brasil na Alemanha, de 2013 a 2016.
Durante a passagem pela ONU, presidiu o Conselho de Segurança das Nações Unidas em fevereiro de 2011. Em 2016, retornou ao Itamaraty como subsecretária-geral da Ásia e do Pacífico. No ano seguinte, assumiu a chefia de gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, onde permaneceu até 2021.
Em 2023, Viotti foi indicada por Lula para comandar a Embaixada do Brasil em Washington. A indicação foi aprovada pelo Senado por 44 votos favoráveis, um contrário e uma abstenção. Com a nomeação, tornou-se a 1ª mulher a chefiar a representação diplomática brasileira nos Estados Unidos.
Viotti recebeu condecorações ao longo da carreira. Em 1997, foi admitida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à Ordem do Mérito Militar no grau de Oficial especial. Em 2000, recebeu a Ordem de Rio Branco, no grau de Grande Oficial.