Casa Nóticias Versão de Marcola sobre empréstimo não cola

Versão de Marcola sobre empréstimo não cola

por admin
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Ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, se complicou. Como registramos mais cedo, a Polícia Federal descobriu mensagens dele para Roberta Luchsinger pedindo para que lhe comprasse duas joias avaliadas em R$ 9,2 mil. O presente do “Dia das Mães” desmonta de vez a versão de empréstimo pessoal.

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É que os pedidos de Marcola para Luchsinger não seguem um cronograma ou uma lógica decorrente de alguma necessidade específica de auxílio financeiro. Tampouco há, nas mensagens, uma explicação real para os repasses. Se as transferências em PIX e o pagamento de boletos poderiam ser justificados por uma emergência de caixa, as joias enterram essa possibilidade.

Joias são um luxo, não uma necessidade. Marcola não conseguirá explicar um pedido de empréstimo para a compra de um presente de quase R$ 10 mil. Não cola. A dinâmica da relação financeira entre os dois está mais para a de uma “conta corrente” oculta. Os favores que o chefe de gabinete de Lula supostamente prestou à lobista teriam virado um crédito, que ele ia executando aos poucos.

Essa é uma forma, aliás, bastante comum para transações de propina entre amigos. A Lava Jato, por exemplo, descobriu que a Odebrecht também mantinha uma espécie de conta corrente com Antonio Palocci, que gerenciava o caixa das campanhas presidenciais de Lula. Tudo era registrado numa planilha. Quando Palocci pedia, Marcelo Odebrecht autorizava o débito.

Foi assim também com a JBS — para ficar só nesses dois exemplos.

Quero dizer que, se a PF investigar a fundo, quebrando emails, vasculhando documentos e anotações de Luchsinger, provavelmente topará com alguma contabilidade paralela semelhante. Isso explicaria por que Roberta não transferiu a Marcola um valor exato, numa data específica, mas fez várias transferências, pagou boletos de consumo e comprou presentes ao longo de vários meses.

A devolução da quantia usada até ali, porém, foi feita de forma única e integral, e com acréscimo de juros, justamente depois que Luchsinger entrou na mira da PF. Marcola, provavelmente, viu que a coisa ia feder e simulou o empréstimo para encobrir a real natureza dos repasses. Foi, muito provavelmente, aconselhado por alguém que viu que a coisa ia feder.

Vale ressaltar que Marcola recebia um salário líquido mensal acima de R$ 31 mil. Nada mal para um homem solteiro, sem hipotecas ou boletos de escola dos filhos para pagar. Seu carro? Um Renault Sandero 2012. Na prática, não há até agora uma justificativa plausível para o citado empréstimo.





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