A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente no domingo (16), com 13 candidatos na disputa pela Presidência da República. O prazo para o registro das candidaturas terminou às 19h do último sábado (15). Agora, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa a documentação apresentada e verifica se os postulantes atendem aos requisitos legais para concorrer.
Partidos, candidatos e o Ministério Público Eleitoral também podem apresentar impugnações nesta etapa. Ao final, a Justiça Eleitoral decidirá se aceita ou rejeita cada registro. A propaganda eleitoral está liberada desde domingo (16), inclusive nas ruas e na internet.
Confira os 13 candidatos à Presidência:
Flávio Bolsonaro (PL)
Advogado, senador pelo Rio de Janeiro, ex-deputado estadual e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Tem como candidato a vice o deputado federal Alfredo Gaspar (PL). No plano de governo, chamado “Para o Brasil vencer o atraso”, apresenta nove diretrizes, com destaque inicial para segurança pública e políticas para mulheres. Na área fiscal, propõe um “tesouraço” nos gastos públicos. Na economia, defende medidas para reduzir a inflação dos alimentos e estimular o crescimento econômico. Flávio declarou patrimônio de R$ 8.186.555,83.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O petista disputa o Palácio do Planalto pela sétima vez e busca um quarto mandato. A chapa repete a composição de 2022, com Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador de São Paulo, como vice. O programa de governo é dividido em 13 pontos e aborda temas como “soberania”, combate à desigualdade e manutenção do apoio ao fim da escala 6×1. Lula declarou patrimônio de R$ 4.775.650,64.
Renan Santos (Missão)
Ativista e fundador do MBL, Renan Santos estreia em eleições. Ele declarou R$ 795.089,00 em patrimônio. Seu candidato a vice é o militar da reserva Aroldo Medina, também do Missão.
O plano de governo, chamado “O futuro é glorioso”, resume o “Livro Amarelo”, conjunto de propostas elaborado pelo Missão, partido que Santos ajudou a fundar. O documento defende um ajuste fiscal rigoroso, com referências às medidas adotadas por Javier Milei na Argentina. Na segurança pública, a proposta usa a expressão “prendeu, matou?” para defender a aplicação rigorosa da lei contra o crime organizado.
Pablo Marçal (PRTB)
Empresário, Marçal pediu o registro da candidatura apesar de estar inelegível até 2032 por condenação na Justiça Eleitoral. O candidato a vice é o presidente nacional do PRTB, Leonardo Alves de Araújo, 37 anos, conhecido como Leonardo Avalanche. Avalanche chegou a ser oficializado como candidato, mas, no último dia do prazo legal, o partido registrou Marçal para a disputa presidencial.
O programa de governo ainda não foi divulgado. Na campanha à Prefeitura de São Paulo, Marçal havia defendido medidas de gestão empresarial, digitalização de serviços públicos e investimentos em segurança com uso de tecnologia.
Marçal afirmou que o patrimônio de R$ 7,4 bilhões informado no sistema do TSE está errado. Segundo ele, foi solicitada a correção dos dados, mas o candidato não informou o valor correto.
Ronaldo Caiado (PSD)
Ex-governador de Goiás e ex-senador, Caiado já disputou a Presidência em 1989. Seu vice é Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD. O candidato dedica parte do programa ao agronegócio e promete transformar o setor em “plataforma de liderança global do Brasil em alimentos, bioenergia, biotecnologia e sustentabilidade”.
Na segurança pública, afirma que pretende assumir a liderança no combate às facções criminosas, em cooperação com Estados e Ministério Público. Caiado declarou R$ 52.557.930,98 em bens.
Augusto Cury (Avante)
Escritor e psiquiatra, Cury ganhou notoriedade com livros de autoajuda. O ex-deputado federal Júlio Delgado, também do Avante, é o candidato a vice. O programa, chamado “O Brasil dos nossos sonhos”, reúne ideias apresentadas por Cury em palestras e livros. O documento defende o fim da polarização e propõe conciliar valores associados à direita, como responsabilidade fiscal, e à esquerda, com foco na área social.
Entre as propostas estão medidas para estimular o empreendedorismo, a criação de um ministério dedicado ao tema e a implantação de 10 mil escolas especializadas. Cury declarou R$ 242.281.162,52 em bens, o maior patrimônio informado entre os presidenciáveis.
Romeu Zema (Novo)
Ex-governador de Minas Gerais por dois mandatos, Zema forma uma chapa “puro-sangue” do Novo com o senador Eduardo Girão como vice. No programa “Plano implacável”, propõe a construção de presídios de segurança máxima para integrantes de facções criminosas e a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Na economia, defende a privatização de “todas as empresas estatais” e metas progressivas para reduzir a carga tributária. Zema declarou R$ 178.707.610,09.
Edmilson Dias (PCB)
Escritor e doutor em economia, Edmilson Costa, de 76 anos, representa o Partido Comunista Brasileiro (PCB) na corrida presidencial. A vice é a professora universitária aposentada Cleusa Santos, de 70 anos. Entre as propostas estão a estatização do sistema financeiro, a criação de um Banco dos Trabalhadores, o fim da escala 6×1 e a reestatização de empresas consideradas estratégicas para a economia nacional. Costa declarou patrimônio de R$ 454.485,68.
Hertz Dias (PSTU)
Professor da rede pública do Maranhão, rapper e ativista do movimento negro, Hertz Dias disputa sua quinta eleição, mas concorre pela 1ª vez à Presidência. Em 2018, foi candidato a vice na chapa de Vera Lúcia. Também já disputou os cargos de vice-governador e governador do Maranhão e prefeito de São Luís. A vice é Vanessa Portugal (PSTU), também professora e militante.
O programa tem como lema “Por um Brasil soberano e socialista”. O partido defende o controle nacional das riquezas produzidas no país e a expropriação de empresas estratégicas, como Petrobras e Vale. Também propõe o fim da escala 6×1 e a revogação das reformas trabalhista e da Previdência. Dias declarou R$ 0 em bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Samara Martins (UP)
Dentista, Samara Martins disputou as eleições de 2022 como vice de Léo Péricles, atual presidente da sigla. Neste ano, a UP lançou uma chapa 100% feminina, com Raquel Brício como vice. Entre as propostas estão o fim da escala 6×1, aumento salarial de 100%, defesa da soberania nacional e reestatização de empresas públicas já privatizadas. O partido também defende a obrigatoriedade de parlamentares e seus familiares utilizarem o SUS. Ela declarou R$ 33.000,00 em patrimônio.
Wilson Grassi (Democrata)
Veterinário, Grassi será o primeiro candidato à Presidência pelo Democrata, partido criado em 2008 com o nome Partido da Mulher Brasileira (PMB). A vice é Suêd Haidar, da mesma legenda. O programa de governo, intitulado “Brasil em primeiro lugar”, tem como eixos a desburocratização e a desoneração. Na área tributária, propõe substituir os atuais tributos por apenas um e zerar o custo tributário para a contratação de trabalhadores com carteira assinada.
O candidato também defende medidas para reforçar a segurança e combater o crime organizado. Ele declarou patrimônio de R$ 50.000.000,00.
Clariana Barão (DC)
Advogada, Clariana Barão, de 39 anos, é a candidata do Democracia Cristã à Presidência. Nas seis eleições presidenciais anteriores, o partido foi representado por José Maria Eymael. A vice é a advogada Fabiana Torquato, de 46 anos. Barão foi escolhida depois que o então pré-candidato, o ex-ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), desistiu da disputa.
Nas redes sociais, a candidata defende políticas públicas de combate à violência contra a mulher. O programa de governo, chamado “Proteger o hoje, transformar o amanhã”, é dividido em seis capítulos, com propostas para mulheres e crianças, economia, educação, segurança pública, saúde e gestão. Barão declarou R$ 1.820.760,17 em patrimônio.
Rui Costa Pimenta (PCO)
Jornalista e redator, Pimenta disputa sua quinta eleição presidencial. O candidato a vice é Antônio Carlos Silva, também do PCO. O programa de governo, intitulado “Por salário, trabalho e terra”, apresenta 15 pontos, entre eles aumento emergencial de 50% dos salários, anulação de dívidas de trabalhadores com o sistema financeiro e redução da jornada de trabalho para 5 dias por semana. Pimenta também defende uma reforma agrária ampla e a estatização do sistema financeiro. Pimenta declarou zero bens.