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BC alerta para avanço da dívida e da inadimplência

por admin
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O Banco Central (BC) prepara medidas para conter os riscos associados ao aumento do endividamento e da inadimplência das famílias, especialmente em modalidades de crédito com juros elevados e pouca ou nenhuma garantia. O alerta foi feito nesta segunda-feira (24) pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo, durante a abertura da Febraban Tech 2026, em São Paulo.

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Segundo dados apresentados por Galípolo, o endividamento das famílias chegou a 49,8% da renda acumulada em 12 meses em maio, ante 41,8% em 2020. Quando os financiamentos imobiliários são retirados do cálculo, a parcela também aumentou, de 25,6% para 31,1% no período.

O cenário chama atenção porque ocorre ao mesmo tempo em que os indicadores de emprego e renda apresentam melhora. A renda disponível das famílias alcançou R$ 822 bilhões em maio, enquanto a taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho.

“Não dá para ficar contente com uma notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu. O crédito que um banco ou uma instituição financeira dá é a dívida de alguém que tomou”, afirmou Galípolo.

BC estuda medidas para o sistema financeiro

De acordo com o presidente do BC, a autarquia avalia medidas macroprudenciais e também experiências adotadas em outros países. A intenção é fazer com que as instituições financeiras mantenham provisões compatíveis com os riscos das operações de crédito.

Galípolo afirmou que eventuais mudanças deverão ser implementadas de maneira gradual. Ao mesmo tempo, destacou que o avanço dos riscos não pode ser ignorado.

“É muito importante que cada instituição esteja devidamente provisionada daquilo que é o efetivo risco que ela está correndo no fornecimento daquele serviço”, disse.

A preocupação do BC não está concentrada no crescimento do crédito em si. Para Galípolo, o problema está principalmente nas dívidas utilizadas para financiar consumo de curto prazo, sobretudo quando contratadas com taxas elevadas e sem garantias suficientes.

“O problema é você estar endividado com alguma coisa que não está constituindo um ativo, é um consumo efêmero e que vai virar um problema, especialmente numa taxa de juros mais elevada ou com uma linha de crédito que não é adequada”, declarou.

Consignado privado dispara e inadimplência acompanha

Entre as modalidades que mais chamam a atenção do BC está o crédito consignado para trabalhadores do setor privado. O estoque passou de R$ 41 bilhões em março de 2025 para R$ 102 bilhões em março de 2026, uma expansão de 145%.

No mesmo intervalo, a inadimplência subiu de 5% para 6,7%. A taxa média de juros também avançou, passando de 40,9% para 57% ao ano.

O cartão de crédito é outro ponto de pressão. De 2020 a 2024, 37 milhões de brasileiros passaram a utilizar a modalidade. O número de pessoas que mantêm saldo financiado no rotativo ou no parcelamento com juros chegou a 52,8 milhões.

O comprometimento médio da renda com despesas no cartão passou de 38,5% para 54%. No rotativo, a parcela do saldo em atraso aumentou de 55% para 64,5% ao longo de 2025.

Em junho deste ano, a taxa média cobrada no rotativo estava em 15,13% ao mês. No parcelamento com juros, a média era de 9,32% ao mês.

Crédito pessoal sem garantia preocupa

O crédito pessoal não consignado também aparece entre os focos de atenção. O estoque da modalidade cresceu 188% entre março de 2020 e junho de 2026, passando de R$ 137,7 bilhões para R$ 397,2 bilhões.

Em maio, R$ 275 bilhões da carteira, ou 68,7% do total, não tinham qualquer garantia. Foi a maior proporção registrada na série apresentada pelo BC.

O custo dessas operações também é elevado. Nos empréstimos pessoais sem garantia, a taxa média chegou a 149,5% ao ano, enquanto operações com algum tipo de lastro apresentavam juros médios de 27,5%.

A diferença, segundo Galípolo, mostra que o custo do crédito não depende apenas da taxa básica de juros. O risco de inadimplência e a existência de garantias também influenciam diretamente o preço cobrado pelas instituições.

No financiamento de veículos, por exemplo, em que o próprio automóvel funciona como garantia, os juros médios estavam em 26,4% ao ano em junho. Ainda assim, a inadimplência nessa modalidade passou de 4,3% em dezembro de 2024 para 6,6% em junho de 2026.

BC cobra uso responsável do crédito

Galípolo afirmou que a expansão do acesso aos serviços financeiros foi positiva, mas defendeu uma segunda etapa, voltada ao uso adequado das modalidades disponíveis.

“A inclusão financeira é essencial, ela ocorreu, foi um movimento muito importante. Agora é importante que a gente consiga ter o uso responsável dos serviços financeiros”, afirmou.

Para o presidente do BC, o cenário exige atenção porque o endividamento e os atrasos estão crescendo justamente em um momento de melhora do mercado de trabalho e da renda. A autoridade monetária pretende, portanto, acompanhar de perto a evolução das carteiras consideradas mais arriscadas e adotar medidas para evitar que o problema avance no sistema financeiro.





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