Tudo tem um limite. Jogar o jogo cínico da eleição vá lá, mesmo com Lula violando 15 vezes por dia a lei eleitoral, mesmo com Alexandre de Moraes ameaçando cassar opositores no primeiro passo em falso, mesmo com Janones anunciando que está disposto a cometer toda sorte de crimes para reeleger o petista.
Disputar uma eleição nas urnas é do jogo atual, mesmo sem a materialização do voto, mesmo com ministros do Supremo pressionando nos bastidores caciques que ousarem se aliar a Flávio Bolsonaro, mesmo com o pai do candidato preso sem provas de um golpe e o irmão banido por denunciar a ditadura por aqui.
Dá para aturar até certo ponto o cinismo do regime atual, que impõe regras democráticas apenas aos opositores. Nada bem, tudo certo. Mas querer obrigar o atual líder nas pesquisas a debater com um velhaco ditador já é demais. Aí é legitimar a ditadura em si, fingir que ela não existe. Se eu fosse Flávio, não daria a Lula esse prazer.
Nem o daria à Globo e a outras emissoras ou jornais que perseguiram sua família e seu movimento; que os ridicularizaram, os estigmatizaram. É a mesma Globo, são as mesmas emissoras e os mesmos jornais que ajudaram a criar um juiz acima da lei, a tirar da cadeia um político condenado, a destruir a melhor chance que o Brasil teve de romper com sua tradição oligárquica corrupta.
Estão com medo do monstro que alimentaram e que agora ameaça devorá-los? Ou estão com medo de perderem a boquinha da Secom, caso Flávio seja eleito pela maioria do povo? Deve ser realmente apavorante perceber que o eleitor já não é tão manipulável como há quatro anos, que suas manchetes já não convencem ninguém, que cada vez são menos os seus assinantes.
E nem adianta chamar de volta o Bonner para a bancada do JN. Ninguém quer saber, pois há muito tempo vocês abandonaram a audiência, a lógica, o jornalismo, para colaborarem com o regime. E seguem colaborando! E aqui é uma constatação, viu?! Não uma sensação! Assim como acontece com a inflação, a violência, a corrupção.
Debater com quem quer restringir o debate seria, no fundo, uma grande covardia. Estamos fartos de políticos covardes.