O ex-ministro e candidato a deputado federal José Dirceu (PT-SP), um dos principais dirigentes históricos do Partidos dos Trabalhadores (PT) e aliado do presidente Lula (PT), defendeu o aprofundamento das relações do Brasil com a Rússia e afirmou que o país não deve se submeter às pressões dos Estados Unidos para limitar sua aproximação com Moscou e Pequim.
Em entrevista à agência estatal russa TASS, publicada em 21 de agosto, Dirceu declarou que Brasília deve ampliar a cooperação com o governo de Vladimir Putin em áreas como economia, ciência e cultura. A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre o governo Lula e Washington e à tentativa do Planalto de reforçar o discurso de “soberania” nas relações exteriores.
“O Brasil não tolerará mais nenhuma tentativa dos EUA de limitar nosso direito soberano de desenvolver laços estratégicos com Moscou ou Pequim”, afirmou.
A declaração de Dirceu representa uma defesa explícita da aproximação do governo brasileiro com dois países que estão no centro das disputas geopolíticas entre as potências ocidentais e o bloco liderado por Rússia e China.
Dirceu critica atuação dos EUA
Na entrevista, o ex-ministro afirmou que os Estados Unidos estariam tentando retirar a influência russa e chinesa da América Latina. Segundo ele, o Brasil deveria reagir mantendo abertas as portas para a cooperação com os dois países.
Dirceu também afirmou que Rússia e China não teriam interferido nos assuntos internos brasileiros nem representariam ameaças à segurança nacional.
A partir dessa avaliação, o petista defendeu uma política externa que amplie os vínculos com Moscou e Pequim, em vez de priorizar a relação tradicional do Brasil com os países ocidentais.
Ex-ministro quer mais espaço para a Rússia
Dirceu afirmou que o Brasil deveria ampliar “de forma abrangente” a cooperação com Moscou nos campos econômico, cultural e científico.
O petista também defendeu uma utilização mais intensa do BRICS como instrumento de articulação internacional. O grupo reúne Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e outros países incorporados ao bloco nos últimos anos.
Entre as áreas destacadas por Dirceu está a energia nuclear. Segundo ele, o Brasil teria interesse estratégico em utilizar a experiência russa no setor.
“O Brasil precisa, de forma vital, da experiência russa em energia nuclear”, declarou.
Aproximação ocorre em momento de tensão com Washington
O governo Lula passou a adotar um discurso mais duro contra os Estados Unidos, especialmente em meio às disputas comerciais e às críticas brasileiras às medidas adotadas pelo governo norte-americano.
Ao mesmo tempo, a Rússia tem buscado ampliar sua presença diplomática e econômica na América Latina. Em agosto, o ex-secretário do Conselho de Segurança da Rússia Nikolai Patrushev esteve no Brasil e manteve reuniões com autoridades brasileiras. A visita incluiu encontros com integrantes do governo e discussões sobre comércio, energia e cooperação tecnológica.