Casa Nóticias Gonet é citado 33 vezes em investigação cuja nulidade ele pediu

Gonet é citado 33 vezes em investigação cuja nulidade ele pediu

por admin
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O procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, e familiares dele são mencionados ao menos 33 vezes nas investigações do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi levantado nesta terça-feira (1º/9).

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Gonet pediu a nulidade das apurações após o ministro André Mendonça retirar o sigilo do material e encaminhar a análise do caso ao plenário do STF. O PGR argumentou que Mendonça não tinha autorização da Corte para conduzir uma investigação que envolvesse outro ministro do Supremo, no caso, Alexandre de Moraes.

Segundo Gonet, o relator tinha conhecimento de que Moraes aparecia entre as pessoas citadas no material.

“sabia que entre elas estava o ministro Alexandre de Moraes. Não poderia deixar de o saber. O ato que determinou a investigação pela Polícia Federal data de 24 de agosto de 2026. Há muito que o relator estava com todas as peças que quis fossem detalhadas por escrito”

A manifestação provocou críticas dentro do próprio Ministério Público Federal. Integrantes do Conselho Superior do MPF ouvidos pelo Poder360 avaliaram, sob reserva, que o pedido de nulidade seria inadequado. Para parte deles, o caso deveria ficar sob responsabilidade do vice-PGR, Hindemburgo Chateaubriand.

A legislação prevê que o Conselho Superior pode designar um subprocurador-geral para analisar eventual crime comum atribuído ao procurador-geral da República. A regra está no inciso 10 do artigo 57 da Lei Complementar 75/1993.

O relatório da PF registra menções a Gonet pelo nome e também pela sigla “PG”. As iniciais aparecem em conversas do advogado Ciro Soares, que mantinha contato com Daniel Vorcaro e intermediava encontros do ex-controlador do Banco Master com autoridades.

Em 15 de março de 2025, Ciro Soares enviou a Vorcaro uma foto em que aparece ao lado de Gonet e escreveu:

“Liga aqui. Ele quer falar com vc”

Treze dias depois, em 28 de março, Ciro encaminhou a Vorcaro mensagens atribuídas ao procurador-geral.

“Que bom! Estou na torcida por vocês!”

Na sequência, aparece outra mensagem:

“Já estou com saudades de você!”

E:

“Estou embarcando para Roma.”

Ciro informou que Gonet iria com o grupo para Londres e encaminhou outra mensagem atribuída ao PGR:

“Oba!!! Tomara que tenha charuto e Macallan!”

No dia seguinte, Gonet informou que não poderia participar do evento em Londres e perguntou se o filho poderia viajar em seu lugar. Segundo o relatório da PF, Vorcaro autorizou a participação.

Questionamentos sobre a atuação de Gonet

O pedido de nulidade foi apresentado pouco depois da decisão de Mendonça que tornou públicos os documentos. O ministro determinou que o caso seja submetido ao plenário do STF. A pauta ainda depende do presidente da Corte, Edson Fachin.

Integrantes do MPF também questionaram um dos fundamentos usados por Gonet. O PGR apontou como problema o fato de Mendonça ter determinado diligências por ofício. O procedimento, porém, é semelhante ao adotado por Moraes no inquérito das fake news, quando o ministro também determinou diligências por ofício.

A legislação prevê mecanismos distintos para afastamento de um procurador-geral de um caso e para perda do cargo. Gonet pode delegar a atuação a um subprocurador ou ao vice-PGR sem declarar suspeição.

Também existe a possibilidade de arguição de suspeição. Nesse caso, aplicam-se ao Ministério Público regras previstas para magistrados, com hipóteses como parentesco, interesse na causa, amizade íntima ou inimizade.

Em 2017, o STF rejeitou por unanimidade um pedido da defesa de Michel Temer para afastar o então PGR Rodrigo Janot. A defesa alegava perseguição pessoal.

Há ainda a possibilidade de impeachment por crime de responsabilidade, com julgamento no Senado. Entre as condutas previstas está a emissão de parecer quando o procurador-geral é suspeito na causa. A condenação exige dois terços dos senadores.

Outra possibilidade é a destituição do cargo. Nesse caso, a iniciativa parte do presidente da República e depende de autorização do Senado por maioria absoluta.

Até o momento, nenhuma dessas medidas foi formalizada contra Gonet. O plenário do STF deverá analisar o relatório da PF e o pedido de nulidade apresentado pela PGR.

Oposição cobra análise sobre Moraes

Congressistas de oposição também reagiram à divulgação do relatório. O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que a oposição apresentou pedido de impeachment contra Moraes e uma notícia-crime para apurar a atuação do ministro.

Marinho disse que o grupo pretende pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, que o caso seja analisado pela Corte.

“Não vamos pedir ao Gonet, vamos pedir ao seu adjunto, porque há indícios que o Gonet possa estar nessa situação”

Segundo o senador, a oposição quer que o processo tenha “transparência” e não seja retirado de análise pública.

O relatório da PF tem 218 páginas e foi produzido a partir do celular de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos e contratos.

A própria PF informou que a análise “não possui caráter exaustivo”, pois foi realizada em 72 horas. A corporação afirmou que ainda podem existir outras referências indiretas não identificadas.

Parte das conversas também foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Por isso, alguns diálogos permitem recuperar apenas as mensagens enviadas por Vorcaro, sem o conteúdo das respostas.

No caso do contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, a limitação impede a reconstrução completa de parte das conversas.





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