A arrecadação federal atingiu R$ 2,11 trilhões entre janeiro e agosto de 2026, o maior valor registrado para os oito primeiros meses do ano desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. O resultado representa um crescimento real (já descontada a inflação) de 7,12% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados nesta terça-feira (22).
Em agosto, a arrecadação somou R$ 235,6 bilhões, também o maior resultado para o mês desde o início da série. Na comparação com agosto de 2025, houve crescimento real de 8,25%.
O resultado de agosto, porém, ficou 18,33% abaixo, em termos reais, dos R$ 289,3 bilhões arrecadados em julho. Segundo o Fisco, a variação está relacionada principalmente a fatores sazonais, como o recolhimento de tributos sobre o lucro das empresas, concentrado no mês anterior.
Dos R$ 235,6 bilhões arrecadados em agosto, R$ 227,9 bilhões foram provenientes de tributos administrados diretamente pela Receita Federal. Outros R$ 7,7 bilhões vieram de receitas recolhidas por demais órgãos públicos. Na comparação anual, os avanços reais foram de 8,24% e 8,75%, respectivamente.
Petróleo eleva arrecadação
O setor de petróleo e gás teve forte impacto no resultado. Em agosto, as empresas de extração recolheram R$ 14,4 bilhões em tributos administrados pela Receita, contra R$ 871 milhões no mesmo mês de 2025.
A Receita, porém, destacou que parte do aumento decorre de uma mudança na classificação tributária de empresas. Portanto, o avanço não está ligado apenas ao aumento dos recolhimentos de companhias que já pertenciam ao setor.
Também contribuíram para o resultado R$ 20,9 bilhões em pagamentos extraordinários e mudanças na legislação tributária ao longo do ano. Desse total, R$ 11 bilhões vieram de recolhimentos atípicos sobre o lucro das empresas e R$ 9,9 bilhões do imposto de exportação sobre petróleo bruto.
A cobrança sobre as exportações de petróleo foi adotada de forma temporária pelo governo em resposta aos efeitos da guerra no Oriente Médio. Em agosto, a medida acrescentou R$ 1,94 bilhão à arrecadação.
Sem essa receita extraordinária, o crescimento real dos tributos administrados pela Receita seria de 7,31%, ante os 8,24% registrados no mês.
Empresas e Previdência também avançam
O aumento da arrecadação também foi sustentado pelos tributos sobre o lucro empresarial e pelas contribuições previdenciárias.
O IRPJ e a CSLL somaram R$ 34,1 bilhões em agosto. O valor representa alta real de 13,09% em relação ao mesmo mês de 2025.
As contribuições previdenciárias chegaram a R$ 63 bilhões, crescimento real de 4,3%.
Segundo os dados da Receita, o resultado foi influenciado pelo avanço real de 2,89% da massa salarial em julho, indicador que reúne o total das remunerações recebidas pelos trabalhadores.