O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (22) que pretende universalizar os serviços de água e esgoto nos 371 municípios atendidos pela Sabesp até 2029. A antecipação da meta, originalmente estabelecida para 2033 pelo marco nacional do saneamento, já está prevista no contrato de concessão da companhia.
A declaração foi feita durante uma agenda na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Barueri, na Grande São Paulo. A unidade atende aproximadamente 8 milhões de pessoas e está entre as estruturas que passam por ampliação para acompanhar o aumento das ligações à rede de esgoto.
Segundo Tarcísio, 15 estações de tratamento estão atualmente em obras no estado. Outras quatro passam por modernização, entre elas as unidades de Barueri, ABC, Parque Novo Mundo e São Miguel. Também estão em construção 11 novas estações.
A ETE Barueri, que hoje tem capacidade para tratar 16 mil litros de esgoto por segundo, deverá alcançar 22 mil litros por segundo após as intervenções. De acordo com o governador, a expansão permitirá acompanhar a inclusão de novos imóveis na rede.
Tarcísio afirmou ainda que 4,7 milhões de pessoas que não tinham coleta e tratamento de esgoto passaram a ser atendidas desde 2024. Como exemplos, citou Franco da Rocha, Francisco Morato e Cajamar, além de Guarulhos, onde, segundo ele, o índice de tratamento passou de pouco mais de 2% para 45%.
O governador também disse que o volume de esgoto tratado no estado aumentou em 10 bilhões de litros por mês em relação ao início de sua gestão.
Metas para o Tietê
A agenda também foi usada para apresentar as próximas etapas do programa Integra Tietê. Para um eventual segundo mandato, Tarcísio prevê R$ 30 bilhões em investimentos no programa, que reúne ações de saneamento, prevenção de enchentes, recuperação ambiental, logística e integração do rio.
Uma das metas anunciadas é reduzir pela metade, até 2029, a poluição do Tietê. Tarcísio afirmou que a carga orgânica transportada pelo rio já caiu quase 30% nos últimos dois anos.
O governador atribuiu parte desse resultado à expansão do tratamento de esgoto e afirmou que o processo deverá avançar conforme novas obras sejam concluídas.
Outro eixo do plano é o desassoreamento. Segundo Tarcísio, aproximadamente 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos foram retirados do Tietê desde 2023, com investimentos superiores a R$ 1,4 bilhão.
A intenção do governo é transformar o serviço em uma operação permanente por meio de um contrato de longo prazo, com modelo semelhante ao de uma parceria público-privada. O projeto em estruturação prevê intervenções nos rios Tietê e Pinheiros, incluindo retirada de sedimentos, limpeza, conservação das margens e manutenção de estruturas hidráulicas.
A proposta em discussão prevê concessão de 15 anos e cerca de R$ 9,5 bilhões entre investimentos e despesas operacionais.
Universalização antecipada
Pelo Novo Marco Legal do Saneamento, a referência nacional é alcançar, até 2033, 99% da população com acesso à água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto. Em São Paulo, o contrato da Sabesp estabeleceu a antecipação dessas metas para 2029 nos 371 municípios integrantes da estrutura regionalizada da companhia.
Tarcísio afirmou que o cronograma inclui regiões que historicamente ficaram fora da cobertura dos serviços, como áreas rurais, comunidades e núcleos urbanos informais consolidados.
O governo paulista estima investimentos de R$ 64,46 bilhões entre 2024 e 2029 para a universalização dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário na área atendida pela Sabesp. No horizonte mais amplo, a previsão oficial da desestatização aponta R$ 260 bilhões em investimentos da companhia até 2060.