O Lula (PT) classificou como uma “bobagem” o desgaste com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), durante a cerimônia de promulgação da emenda constitucional que encerra a escala 6×1, hoje (16). O petista afirmou que a relação entre os dois chegou a parecer uma disputa entre inimigos, em referência ao período de tensão provocado pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“Pelo que falavam, parecia que eu e você éramos dois inimigo Isso é uma bobagem”, disse Lula, dirigindo-se a Alcolumbre, que estava ao seu lado.
Os dois ficaram cerca de três meses sem contato no início deste ano, depois que Alcolumbre articulou a rejeição do nome de Messias, então advogado-geral da União, para uma vaga no STF.
Lula defende divergências com o Congresso
Durante o discurso, o presidente afirmou que precisa governar com os parlamentares eleitos pela população e defendeu a convivência entre os Poderes, mesmo diante de discordâncias políticas.
“Não fui eu que elegi a Câmara”, declarou Lula. “Não fui eu que elegi o Senado. O povo que elegeu. O voto de um não é melhor que o voto do outro. São todos iguais. Muitas vezes é ruim a nossa convivência por conta da divergência, mas sem ela seria muito pior. Efetivamente, muito pior. Se eu não pudesse divergir de vocês e vocês não pudessem divergir de mim, se eu fosse autoritário e você fosse autoritário, a democracia estaria sendo jogada no lixo.”
O presidente também agradeceu ao Congresso pela aprovação de propostas de seu governo e destacou a composição das duas Casas legislativas.
“Eu só tenho 70 de 513 deputados e nove de 81 senadores. E aprovamos quase tudo que queríamos”, disse.
Presidente defende fim da escala 6×1
Lula aproveitou a cerimônia para defender a redução da jornada de trabalho e contestar argumentos de que a mudança poderia prejudicar empresas.
“Ninguém aqui deseja que uma empresa quebre”, disse. “Mas também ninguém quer que um trabalhador morra por falta de descanso.”
O presidente afirmou que a mudança deve considerar os avanços tecnológicos e permitir que os trabalhadores tenham mais tempo para descansar e conviver com a família. Também defendeu que eventuais problemas específicos sejam discutidos com as categorias afetadas.
“Apareceu um problema numa categoria especial, discuta com aquela categoria especial”, declarou. “Se a gente não garantir o direito do ser humano de descansar, de visitar a família, de visitar os parentes, de levar a criança a uma praça, que tipo de seres humanos nós somos?”
A emenda promulgada prevê dois dias de descanso remunerado por semana e a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial. A cerimônia foi conduzida por Alcolumbre e contou com a participação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).