O Convergência Brasil divulgou um manifesto em que defende a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) com base em propostas econômicas e institucionais. O documento critica o rumo da política econômica do governo Lula e afirma que a disputa presidencial deve ser decidida por projetos, e não pelo receio de uma eventual vitória do adversário.
Intitulado “Eleições devem ser decididas por projetos, não pelo medo”, o texto foi publicado em 20 de outubro, a poucos dias do segundo turno. A entidade afirma não ter filiação partidária, mas sustenta que o apartidarismo não impede o posicionamento diante das escolhas políticas do país.
O manifesto também contesta a avaliação de que a eleição de Flávio Bolsonaro representaria, por si só, uma ameaça à democracia. O grupo cita o sistema constitucional de freios e contrapesos, a independência do Congresso, as competências do Judiciário, a liberdade de imprensa e a atuação da sociedade civil como elementos institucionais que permanecem com a alternância de poder.
Manifesto critica gastos e carga tributária
A posição do Convergência Brasil é fundamentada em uma agenda de liberdade individual, livre iniciativa, responsabilidade fiscal, produtividade e segurança jurídica. Para justificar a crítica ao atual governo, o documento apresenta indicadores econômicos.
Segundo o manifesto, a carga tributária bruta atingiu 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, maior nível da série do Tesouro Nacional, iniciada em 2010. A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026, enquanto a taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB no ano passado.
O texto também afirma que medidas adotadas ou ampliadas pelo governo em 2026, incluindo crédito subsidiado, benefícios e renúncias, somam mais de R$ 350 bilhões. De acordo com o documento, 94% dos benefícios anunciados até meados do ano ficaram fora do limite de gastos do arcabouço fiscal.
Na avaliação da entidade, os indicadores demonstram o afastamento do governo Lula das diretrizes econômicas que o grupo defende.
Agenda de Flávio inclui corte de ministérios e privatizações
O manifesto aponta o programa de governo de Flávio Bolsonaro como o que mais se aproxima das propostas defendidas pelo Convergência Brasil. Entre os compromissos citados estão a obtenção de superávits primários duradouros, a estabilização e a redução da dívida pública, o corte de pelo menos dez ministérios e a retomada das privatizações.
O documento também defende a redução das exceções previstas na reforma tributária, com o objetivo de diminuir a alíquota dos tributos.
O apoio, porém, é condicionado à apresentação de compromissos públicos e verificáveis. O grupo cobra metas fiscais detalhadas, com estimativas de economia decorrentes dos cortes de gastos e a definição do resultado primário pretendido já para 2027. Também defende que não sejam criadas novas exceções ao arcabouço fiscal.
Na área institucional, o manifesto pede critérios transparentes para indicações aos tribunais superiores e às agências reguladoras, além da garantia de liberdade de expressão para apoiadores e críticos do futuro governo.
“A democracia não pertence a um partido ou candidato. Pertence à sociedade brasileira.”
O Convergência Brasil afirma que acompanhará e cobrará publicamente o cumprimento desses compromissos, independentemente do resultado eleitoral. O texto encerra com a defesa de uma República constitucional, de uma economia livre, de uma sociedade plural e de instituições submetidas à lei.