O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes afirmou que o país corre o risco de não ter recursos suficientes para pagar aposentados e pensionistas do INSS. Em vídeo publicado no Instagram, ele atribuiu o cenário ao avanço da dívida pública e ao aumento de despesas que, segundo ele, ficam fora do Orçamento federal.
“Está colapsando a economia nacional”, declarou Nardes. O ministro afirmou que a chamada “desorçamentação” das contas públicas já alcança R$ 326 bilhões.
Nardes também comparou a situação fiscal atual às pedaladas fiscais que embasaram o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. Na época, ele foi relator, no TCU, do processo que recomendou a rejeição das contas do governo petista.
“Houve manipulação lá atrás nas contas da presidente e volta a acontecer”, afirmou.
Ministro aponta rombo de R$ 404 bilhões na Previdência
Nardes disse que incluiu um alerta sobre a situação previdenciária em seu parecer sobre as contas do governo federal. Segundo ele, o déficit da Previdência Social chega a R$ 404 bilhões.
Ao se dirigir aos brasileiros que pretendem se aposentar pelo INSS, o ministro afirmou que a trajetória atual ameaça a capacidade de pagamento do sistema.
“Não temos mais economia suficiente nem para pagar os aposentados hoje, e quem dirá futuramente”, declarou.
O ministro também fez um alerta direto sobre as perspectivas para quem ainda pretende se aposentar: “como está, não haverá aposentadoria”.
Dívida pública avançou no terceiro mandato de Lula
Segundo os dados citados na reportagem, a dívida pública passou de 72% para 83% do Produto Interno Bruto (PIB) durante o terceiro mandato do presidente Lula.
Nardes defende que o quadro exige atenção às contas públicas e à expansão dos gastos. A preocupação envolve o peso crescente das despesas obrigatórias, que pode reduzir o espaço disponível no Orçamento para investimentos e para o custeio da máquina pública.
O alerta foi divulgado às vésperas do segundo turno da eleição presidencial e coloca o ajuste fiscal entre os desafios do próximo governo.