O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na segunda-feira (26) que o Tesouro Nacional vai intervir no mercado de títulos públicos para ampliar a liquidez e tentar normalizar as negociações após a disparada do dólar e a queda da Bolsa. Segundo ele, a medida foi discutida com o presidente Lula (PT) e será coordenada com o Banco Central.
“Nós precisamos ter alguma racionalidade. Eu não estou falando de controle de preço, estou falando de alguma racionalidade. Então, desde de manhã estou falando com o Banco Central, falando com o Tesouro, o Tesouro vai intervir agora para dar racionalidade, para dar liquidez. Eu não estou falando de nível, o preço vai seguir em um nível mais alto, mas eu estou falando de normalidade. O Banco Central está avaliando (atuação no câmbio), junto conosco para que a gente não faça uma intervenção nos juros, no título do Tesouro, e acabe pesando desproporcionalmente no câmbio. Então, nós estamos fazendo isso de maneira coordenada”, afirmou o ministro.
Durigan também disse que o governo pretende reforçar o resultado primário, revisar despesas obrigatórias e evitar a prorrogação de parte das medidas parafiscais adotadas ao longo do ano. O ministro afirmou que a política fiscal terá como referência o centro da meta de resultado primário.
“Nós vamos adotar as medidas necessárias para estabilizar a situação financeira do país, inclusive dívida, juros, câmbio a médio e longo prazo. Nós vamos aumentar o tamanho do superávit primário. Nós vamos trabalhar para estabilizar a dívida pública, para coordenar com o Banco Central e, na medida da autonomia do Banco Central, permitir baixar a taxa de juros.”
O ministro disse ainda que mantém contato com agentes do mercado financeiro e defendeu diálogo entre o governo e investidores. Segundo ele, é importante que não “haja chantagem de um lado e nem retaliação de outro”.
Dólar dispara após resultado eleitoral
A reação dos mercados ocorreu após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial, realizado no domingo (25).
O dólar comercial abriu em alta de 8,65%, cotado a R$ 5,42. Após a retomada das negociações, a moeda chegou a R$ 5,60, avanço de 12,2%. As operações foram interrompidas mais de uma vez diante da volatilidade. Pouco antes das 11h, o dólar era negociado a R$ 5,53, com alta de 10,78%.
A valorização chegou a superar a variação intradiária registrada em 15 de janeiro de 1999, quando o Brasil abandonou o regime de bandas cambiais e adotou o câmbio flutuante. Naquele dia, o dólar subiu 11,10%.
Na Bolsa de Valores, o Ibovespa também sofreu forte queda e teve as negociações interrompidas após recuar mais de 10%. Com a retomada dos negócios, o índice chegou a registrar perdas de 17%.
Tesouro busca conter a volatilidade
A intervenção anunciada por Durigan prevê a compra de títulos públicos pelo Tesouro para aumentar a liquidez no mercado. O ministro afirmou que a atuação será coordenada com o Banco Central para evitar que medidas no mercado de juros provoquem pressão desproporcional sobre o câmbio.
A disparada do dólar e a queda das ações levaram à adoção do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de oscilações acentuadas. A pausa busca permitir que investidores reavaliem suas posições antes da retomada dos negócios.
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