O dólar ultrapassou R$ 5,50 nesta terça-feira (3), enquanto a Bolsa brasileira ampliou a sequência de perdas pelo sexto pregão consecutivo. Por volta das 13h45, a moeda norte-americana subia 1,06%, cotada a R$ 5,5020, depois de atingir R$ 5,5151 na máxima do dia. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 1,73%, aos 165.020 pontos.
A movimentação ocorre após uma semana de forte turbulência no mercado financeiro. Na sexta-feira (30), o dólar encerrou a R$ 5,4442, com valorização superior a 9% na semana. No mesmo período, o Ibovespa acumulou perda de 18,12%, uma das cinco maiores quedas semanais desde o início do Plano Real, em 1994.
O resultado da eleição presidencial, que garantiu a reeleição de Lula (PT), foi apontado como principal fator doméstico para a reação dos investidores. A perspectiva de continuidade da atual política econômica levou parte do mercado a rever suas expectativas sobre os ativos brasileiros.
A pressão também aparece nas projeções divulgadas pelo Banco Central no Relatório Focus. As estimativas para o dólar foram elevadas: a cotação esperada para o fim de 2026 passou de R$ 5,05 para R$ 5,34. Para 2027, a previsão subiu de R$ 5,15 para R$ 5,40. Já para 2028, avançou de R$ 5,20 para R$ 5,40, enquanto a estimativa para 2029 passou de R$ 5,28 para R$ 5,45.
A preocupação com as contas públicas e a trajetória da dívida também pesa sobre o mercado. Analistas avaliam que a ausência de medidas consistentes de controle dos gastos pode elevar a percepção de risco fiscal, pressionar o câmbio e dificultar a redução dos juros.
Os investidores acompanham ainda a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), iniciada nesta terça-feira. A decisão sobre a taxa Selic será anunciada na quarta-feira (4). Embora parte das projeções anteriores apontasse para um novo corte, as expectativas mais recentes indicam possibilidade de manutenção dos juros em 13,75% ao ano, diante das incertezas fiscais e inflacionárias.
No cenário internacional, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, também influenciam o humor dos investidores. A votação renova todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado americano. O resultado pode alterar a capacidade do presidente Donald Trump de aprovar medidas econômicas e fiscais.
Indicadores do mercado de trabalho dos Estados Unidos também estão no radar, por oferecerem sinais sobre a atividade econômica e os próximos passos do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano. A definição dos juros americanos tem impacto sobre o fluxo internacional de investimentos e, consequentemente, sobre moedas e bolsas de outros países.
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