Casa Nóticias Eleições nos EUA podem custar US$ 11,9 bilhões

Eleições nos EUA podem custar US$ 11,9 bilhões

por admin
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As eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos podem se tornar as mais caras da história do país. Os gastos totais devem alcançar US$ 11,9 bilhões (cerca de R$ 65 bilhões), segundo estimativa da organização apartidária OpenSecrets. O valor representa uma alta de aproximadamente 30% em relação aos US$ 8,9 bilhões desembolsados nas eleições de 2022.

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O pleito foi marcado pela participação de bilionários, empresas de tecnologia e grupos políticos com interesses diversos. Apesar do volume de recursos direcionados às campanhas republicanas, o Partido Democrata conquistou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, impondo uma derrota ao presidente Donald Trump.

O empresário Elon Musk foi o maior doador individual do ciclo eleitoral. Até outubro, destinou quase US$ 500 milhões a iniciativas republicanas, principalmente por meio do America PAC, comitê criado por ele em 2024, e do Senate Leadership Fund, grupo alinhado ao partido.

Parte expressiva dos recursos foi direcionada à disputa pelo Senado no Texas, em apoio ao procurador-geral Ken Paxton. O republicano perdeu para o democrata James Talarico, que conquistou uma cadeira que estava sob controle republicano havia décadas.

Megadoadores ampliam influência eleitoral

Os dados apresentados à Comissão Eleitoral Federal (FEC) indicavam que mais de US$ 9,5 bilhões já haviam sido gastos até 14 de outubro. Os PACs e Super PACs respondiam por aproximadamente US$ 5,5 bilhões, mais da metade do total. Os gastos desses grupos praticamente dobraram nos dois meses anteriores ao levantamento.

A projeção da OpenSecrets considera o conjunto das despesas eleitorais. Já a AdImpact, empresa de monitoramento publicitário, estimou em US$ 11,6 bilhões os gastos com propaganda política. O montante superaria os US$ 11,2 bilhões registrados na eleição presidencial de 2024.

A expansão dos recursos privados está relacionada a uma decisão da Suprema Corte americana de 2010. Naquele ano, o tribunal autorizou empresas e sindicatos a financiar atividades políticas independentes sem limite de valores. A decisão favoreceu a expansão dos Super PACs, que podem receber doações ilimitadas, desde que não coordenem diretamente suas ações com os candidatos.

Um relatório do Brennan Center for Justice apontou que os 40 maiores doadores contribuíram com US$ 2,4 bilhões até outubro. O valor equivale a oito vezes o montante doado pelos maiores financiadores em 2014, considerada a inflação.

O levantamento também identificou uma mudança na distribuição dos recursos. Há 12 anos, os democratas recebiam o dobro das contribuições dos principais doadores. Neste ciclo, os republicanos receberam três vezes mais.

“Os gastos nas eleições de meio de mandato deste ano estão quebrando recordes, com uma parcela maior do dinheiro vindo dos doadores e grupos mais ricos”, afirmou Michael Beckel, especialista em financiamento de campanhas eleitorais, à BBC.

Musk direcionou recursos a candidatos republicanos

Além de financiar campanhas presidenciais em 2024, Musk passou a integrar o governo Trump em 2025, quando assumiu a liderança do Departamento de Eficiência Governamental (Doge). O empresário rompeu publicamente com o presidente em junho daquele ano, mas voltou a se aproximar do republicano pouco depois.

Nas eleições de 2026, Musk direcionou recursos a candidatos e grupos ligados ao Partido Republicano. O investimento no Texas, em apoio a Ken Paxton, não impediu a vitória de James Talarico.

Após o resultado, o empresário ironizou o desempenho de suas iniciativas eleitorais em uma publicação na rede social X.

“Tenho a impressão de que a interferência dos meus lasers espaciais nas eleições não funcionou desta vez”, escreveu.

Os democratas também sinalizaram que pretendem investigar a atuação de Musk no governo, os contratos federais de suas empresas e seu papel na guerra da Ucrânia após a retomada do controle do Congresso.

Recursos sem identificação dificultam fiscalização

Outro ponto de preocupação é o crescimento dos chamados recursos de “dinheiro escuro”. São valores direcionados à atividade política por organizações que não precisam divulgar a identidade de seus financiadores.

Estimativas do Brennan Center indicam que esses grupos representam 29% das contribuições dos 40 maiores doadores. Pelo menos US$ 699 milhões estão associados a recursos cuja origem é, em grande parte, impossível de rastrear.

Os três principais Super PACs ligados a Trump destinaram aproximadamente US$ 277 milhões a candidatos republicanos entre setembro e meados de outubro. O montante garantiu ao partido vantagem financeira em diferentes disputas pelo Congresso, mas não evitou a derrota eleitoral.

O próprio Trump se referiu repetidamente ao MAGA Inc. como uma estrutura sob seu controle e sujeita às suas decisões. A legislação americana, porém, estabelece restrições à coordenação entre campanhas e Super PACs.

Desde a eleição presidencial, o principal comitê de arrecadação ligado ao presidente recebeu cerca de US$ 473 milhões. Parte dos recursos foi obtida em jantares que cobravam até US$ 1 milhão por participante para encontros com Trump.

Gastos elevados levantam alerta para 2028

A dimensão dos investimentos privados também reacendeu o debate sobre a influência de grandes financiadores nas eleições americanas. Para Ian Vandewalker, do Brennan Center, a concentração de recursos permite que políticos dependam cada vez mais de poucos doadores com grande capacidade financeira.

O especialista avalia que a tendência representa um alerta para a eleição presidencial de 2028. Segundo ele, a ampliação dos gastos e a dificuldade de rastrear parte das contribuições reduzem a transparência do financiamento político.

“Há muito tempo temos um sistema de limites e transparência, mas isso está desaparecendo cada vez mais”, afirmou.

“Em uma democracia, o princípio deveria ser uma pessoa, um voto. E, quanto mais influência uma única pessoa consegue exercer, menos igualitário se torna o nosso sistema.”

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