Uma pesquisa inédita do Ranking dos Políticos traça o perfil ideológico do Congresso Nacional em 2026: conservador na segurança pública, pragmático na economia e com desconforto crescente com o desenho institucional brasileiro — em especial com o Supremo Tribunal Federal (STF). O dado mais contundente: 43,3% dos senadores apontaram o STF como o principal fator de ameaça à liberdade de expressão no país. Entre deputados federais, o índice foi de 25%.
Entre os parlamentares de direita na Câmara, o número sobe para 50%. No Senado, a direita foi unânime: 100% dos senadores de direita indicaram o STF como a maior ameaça. A cultura do cancelamento apareceu em segundo lugar, citada por 19,5% dos deputados e 16,8% dos senadores.
Segurança pública
A rejeição à pena de morte é ampla: 64,8% dos deputados e 73,3% dos senadores se disseram totalmente contrários. O cenário muda nos temas de maioridade penal e armas. Sobre a maioridade penal, 61,1% dos deputados e 70% dos senadores apoiam alguma forma de redução — para 16 anos, abaixo disso, ou com avaliação caso a caso. Entre os deputados de direita, 50% defendem a redução para menos de 16 anos. No Senado de direita, 66,7% sustentam a mesma posição.
Na questão das armas, 64,9% dos deputados e 70% dos senadores são favoráveis à flexibilização da posse ou do porte, com algum nível de restrição. Entre parlamentares de direita na Câmara, 63,6% são totalmente favoráveis à liberação.
“O que aparece é um viés de endurecimento na agenda de segurança pública. A maioria é contra a pena de morte, mas vemos apoio relevante à flexibilização de armas com restrições e à revisão da maioridade penal.”
Economia e estatais
O modelo de privatização seletiva — manutenção apenas de setores estratégicos — é o preferido de 57,4% dos deputados e 43,3% dos senadores. Entre os parlamentares de direita no Senado, a posição é mais radical: 100% defendem a privatização total das estatais. Na Câmara, 54,5% dos deputados de direita adotam a mesma posição.
“Em vez de aderir aos polos, ele aparece muitas vezes como um campo do pragmatismo, apoiando soluções intermediárias como privatizações seletivas e revisões parciais de regras.”
Desenho institucional
Na questão da reeleição, 51,9% dos deputados e 40% dos senadores defendem o fim da reeleição para cargos do Executivo. Entre os deputados de direita, 63,6% sustentam o fim da reeleição para o Executivo e 31,8% querem o fim para todos os cargos. No Senado de direita, 83,3% são pelo fim da reeleição para todos os cargos.
Sobre o foro por prerrogativa de função, a Câmara registra divisão praticamente equilibrada: 36,1% defendem manter o modelo atual e 35,2% querem o fim. No Senado, 56,7% são favoráveis à manutenção. A direita, nas duas casas, é majoritariamente contra o foro: 45,5% dos deputados e 66,6% dos senadores de direita querem o fim para todos os cargos.
“Existe uma inquietação com o funcionamento das regras do jogo e com o equilíbrio entre os Poderes.”
Metodologia
A pesquisa “A Cabeça dos Parlamentares” ouviu 112 deputados federais de 18 partidos e 30 senadores de 12 legendas, com respeito à proporcionalidade partidária. As entrevistas foram realizadas entre 23 e 27 de março de 2026. Margem de erro de 6,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.