Senador rebateu fala do ministro do STF sobre suposto financiamento do crime organizado ao congressista
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes foi classificado como um “ator político” que presta “desserviço” à Justiça brasileira, segundo o senador Alessandro Vieira (MDB-AL) nesta sexta-feira. A declaração do congressista é uma reação direta à fala do magistrado, que sugeriu que o senador poderia estar sendo financiado pelo crime organizado devido ao teor do relatório final da CPI do Crime Organizado.
Em entrevista à CNN Brasil, Vieira afirmou que o comportamento de Mendes é incompatível com o cargo de magistrado, assemelhando-se ao de um pré-candidato em campanha devido ao alto volume de entrevistas e embates públicos.
O senador justificou a inclusão de nomes de ministros no relatório da CPI, alegando que, durante as investigações sobre facções violentas, o colegiado encontrou indícios de condutas atípicas em instâncias superiores que não poderiam ser ignoradas, reforçando que “ninguém está acima da lei”.
CONFLITO GILMAR MENDES E VIEIRA
A escalada verbal começou depois de Gilmar Mendes chamar o relatório da CPI de “esquizofrênico”. O ministro criticou o fato de o documento, em sua visão, dedicar pouco espaço ao combate direto às facções criminosas para focar em membros da Suprema Corte. Gilmar questionou se o trabalho do congresso estaria servindo a interesses eleitorais ou se sofreria influência financeira de grupos ilícitos.
Vieira rebateu as insinuações apontando que não responde a acusações criminais, ao contrário do ministro, e mencionou que a reação agressiva de Gilmar revela “arrogância” e uma suposta certeza de “impunidade”.
O senador associou o mal-estar às investigações que envolvem o Banco Master, citadas no relatório como parte do ecossistema de lavagem de dinheiro e corrupção que permite a sobrevivência das organizações criminosas no país.
Ao defender o trabalho da comissão, o senador declarou que a elite brasileira reage com agressividade quando o combate ao crime deixa de focar apenas na periferia e passa a investigar o chamado crime de colarinho branco. Segundo Vieira, o relatório final da CPI materializou a conexão entre facções e a infiltração no Estado, o que, em sua análise, explica a resistência e as ofensas proferidas por integrantes da cúpula do Judiciário.