O governo Lula (PT) comunicou ontem (04) a dispensa do embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, e decidiu não enviar um novo embaixador brasileiro a Buenos Aires enquanto o presidente argentino, Javier Milei, mantiver “ataques” ao presidente Lula (PT).
Com a decisão, a relação diplomática entre os países passa a ser mantida apenas por encarregados de negócios, enquanto persistirem as críticas de Milei ao petista.
O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado para consultas na semana passada em protesto após Milei chamar Lula de “presidiário” e “ladrão” durante o ato de lançamento da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em São Paulo (SP).
Depois do episódio, Milei voltou a atacar Lula em duas entrevistas à imprensa argentina e também nas redes sociais. Na tentativa de reduzir a tensão, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou na semana passada que a crise deveria ser tratada como consequência das divergências políticas e ideológicas entre os governos.
“Não há nenhuma chance de que do nosso lado se rompa a relação. Nós não a levamos ao plano institucional”, disse Quirno.
Em nota, o governo argentino lamentou a decisão do Brasil de dispensar seu embaixador e rebaixar o nível das relações diplomáticas. “A República Argentina toma nota da decisão adotada unilateralmente pelo Governo da República Federativa do Brasil e lamenta sua decisão de continuar se isolando do restante da região por questões puramente ideológicas”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores.
A chancelaria argentina também declarou que, nos últimos anos, ocorreram “numerosos episódios de expressões e apoios políticos cruzados entre dirigentes de ambos os países”, sem que Buenos Aires adotasse medidas diplomáticas. “Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Esse critério é o que a Argentina mantém hoje”, diz o comunicado.
Segundo a nota, Raimondi foi informado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil sobre a decisão de reduzir a representação diplomática bilateral ao nível de encarregados de negócios e sobre a solicitação de seu retorno à Argentina.
“A Argentina reafirma que as relações entre os Estados devem responder aos interesses permanentes de seus povos e não ficar sujeitas às necessidades políticas e/ou pessoais dos governantes do momento”, acrescentou o governo argentino.