O uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais é desaprovado por 73% dos eleitores brasileiros, segundo pesquisa Quaest divulgada hoje (17). Apenas 21% aprovam a utilização da tecnologia, enquanto 3% afirmam que não faz diferença e outros 3% não souberam ou não responderam.
A rejeição é maior entre as mulheres. 78% delas desaprovam o uso de IA na disputa eleitoral, ante 69% entre os homens.
A resistência aparece também nos diferentes grupos de posicionamento político. Entre os eleitores de esquerda não lulista, 79% são contrários ao uso da tecnologia. Na direita não bolsonarista, índice é de 69%. Os dados indicam rejeição majoritária nos segmentos analisados.
Regras para IA nas eleições
O uso de inteligência artificial não é proibido de forma geral nas campanhas eleitorais, mas está sujeito a regras específicas. Entre as exigências está a identificação de conteúdos produzidos ou modificados com auxílio da tecnologia.
As normas também estabelecem restrições ao uso de deepfakes e determinam períodos específicos em que novos conteúdos gerados por IA não podem circular. O TSE prevê ainda regras para plataformas digitais e provedores de ferramentas de inteligência artificial.
A discussão ocorre em um cenário de expansão do uso da tecnologia na política. Dados apresentados em audiência no Senado mostram que, entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, foram identificados 137 casos de conteúdo sintético relacionados ao contexto político-eleitoral. Dois terços desses conteúdos circularam sem sinalização sobre o uso de IA.
Metodologia
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06773/2026.