O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou nesta sexta-feira (2) que a Corte adotará medidas para ampliar a transparência das pesquisas eleitorais em um eventual segundo turno. A mudança prevê o fornecimento de informações mais detalhadas sobre a metodologia utilizada pelos institutos.
Segundo Nunes Marques, a iniciativa pretende permitir que o eleitor compreenda melhor como os diferentes cenários apresentados nas pesquisas são construídos a partir das perguntas feitas aos entrevistados. O ministro afirmou que a liberdade de atuação dos institutos será preservada.
“Em um eventual segundo turno, providenciaremos uma medida envolvendo as pesquisas eleitorais, que visa dar informação mais detalhada sobre os cenários montados a partir das perguntas feitas ao eleitorado”, declarou.
Ao SBT News, o presidente do TSE disse que o objetivo não é criar obstáculos para os institutos ou para as campanhas.
“Nosso compromisso é que a liberdade de pesquisa seja garantida e que as pessoas possam compreender melhor como os levantamentos são realizados. Tudo isso sem gerar transtornos para as empresas do setor ou para as campanhas. O trabalho está próximo de ser concluído e estamos confiantes de que trará bons frutos”, afirmou.
A atualização do sistema de registro de pesquisas eleitorais já foi anunciada pelo TSE e passa a detalhar informações sobre a execução dos levantamentos, incluindo aspectos da amostra, nível de confiança, margem de erro e procedimentos adotados no trabalho de campo. Segundo a Corte, a medida aperfeiçoa a apresentação de informações que já são previstas na regulamentação.
A mudança ocorre em meio a questionamentos de entidades que representam empresas de pesquisa. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) acionou o TSE para pedir que os novos campos sejam facultativos durante as eleições de 2026 e que haja um período de adaptação para os institutos. A entidade afirma que não se opõe ao aumento da transparência, mas questiona a forma e o momento de implementação das alterações.
Fiscalização das eleições
Nunes Marques também afirmou que a Justiça Eleitoral pretende ampliar o acesso dos eleitores a informações sobre a totalização dos votos, a divulgação dos resultados e os mecanismos de fiscalização do processo.
“Temos buscado ampliar especialmente o acesso da população a informações sobre os procedimentos de totalização, a divulgação dos resultados e tudo mais que permite acompanhar e verificar o processo eleitoral”, disse.
O presidente do TSE também citou medidas adotadas pela Corte para aumentar a transparência durante a votação. Entre elas está a possibilidade de os dois últimos eleitores de cada seção acompanharem o encerramento dos trabalhos, como forma de verificar que não haverá novos votos registrados após o fechamento da votação.
Na avaliação de Nunes Marques, a Justiça Eleitoral enfrenta desafios relacionados à desinformação, ao uso irregular de inteligência artificial, à violência política de gênero e aos abusos na propaganda eleitoral.
O ministro ainda destacou a presença de missões internacionais que acompanharão as eleições brasileiras e afirmou que a cooperação entre democracias ocorre por meio do intercâmbio de informações e experiências.
A declaração ocorre dois dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4). Nunes Marques deve fazer um pronunciamento em rede nacional neste sábado (3), véspera da votação.