A empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal (PF) em apurações que também envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, questionou nesta segunda-feira (19) por que autoridades evitariam reconhecer que frequentavam sua casa em Brasília. Segundo ela, ministros, assessores e secretários visitavam o imóvel semanalmente.
“Eu não consigo entender por que algumas pessoas, entre elas ministros, assessores e secretários, demonstram tanto receio de admitir que frequentavam semanalmente minha casa em Brasília”, escreveu em uma publicação nos stories do Instagram, acompanhada de uma imagem com vista para o Lago Paranoá.
“Afinal, qual é o problema em reconhecer uma convivência que sempre existiu? O que mais me intriga é justamente esse medo. Medo de quê? De quem? E por quê?”, questionou.
A manifestação ocorre em meio às investigações sobre a atuação da empresária e suas relações com integrantes do governo federal. No sábado (17), em entrevista à CNN Brasil, Roberta atacou o presidente Lula (PT), chamou-o de “mau-caráter” e afirmou que pretende fazer uma delação premiada.
Mansão no Lago Sul entrou na mira da PF
Segundo reportagem publicada pela Gazeta do Povo em setembro, investigadores apuram se encontros realizados em uma mansão alugada por Roberta no Lago Sul, em Brasília, entre 2023 e 2025, teriam sido usados para tratar de contratos com o governo federal. Uma das linhas de investigação envolve uma tentativa de comercializar medicamentos à base de canabidiol com o Ministério da Saúde.
Entre os nomes apontados pela reportagem como frequentadores do imóvel estão Lulinha, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, e o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira. Também foram citados Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, chefe adjunto do gabinete presidencial.
Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e investigado no caso dos descontos indevidos em benefícios previdenciários, também aparece entre os nomes mencionados.
A defesa de Lulinha confirmou visitas ao imóvel, mas negou que a casa tenha sido usada para reuniões de negócios. Wellington Dias afirmou à revista Veja que não se lembrava do endereço de uma festa para o filho do presidente. Já o Ministério das Comunicações declarou que não comenta informações sobre a vida pessoal de servidores e dirigentes.
Empresária acusa Lula e diz que quer delatar
Na entrevista à CNN Brasil, Roberta elevou o tom contra Lula, a quem chamou de “mentiroso” e “covarde”, além de “mau-caráter”. Ela afirmou que pretende colaborar com as autoridades por meio de um acordo de delação premiada.
“Eu não vou poupar ninguém”, declarou. “Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade.”
A empresária também afirmou que Lulinha se encontrava com ministros com frequência. “É público, é notório que o Lulinha, inúmeras vezes, esteve com ministros”, disse. Em outro trecho, declarou: “O filho sentava semanalmente com ministros, seja pra trocar figurinha ou qualquer tipo de diálogo”.
Roberta citou ainda uma viagem de Lulinha à casa do ministro Camilo Santana, no Ceará, e questionou a atuação da Polícia Federal nas apurações.
“Eu e o Lulinha fomos investigados, por que a PF fez operação só na minha casa?”, perguntou. Ela também disse temer pela própria segurança e pela de suas filhas: “Qualquer coisa que acontecer comigo ou com minhas filhas, vai ter a digital do presidente”.
Lula nega interlocução com Roberta
O conflito público entre Roberta e o presidente ganhou força em agosto, quando Lula a chamou de “pilantra” durante a sabatina do Jornal Nacional. Na mesma data, a campanha do petista divulgou uma nota afirmando que ele “não mantém qualquer relação com Roberta Luchsinger e nunca teve interlocução com ela”.
A empresária, por sua vez, tem ao menos 12 fotos publicadas no Instagram ao lado de Lula entre 2018 e 2023.
Após a entrevista de sábado, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência divulgou outra manifestação do presidente. Lula afirmou que “desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger” e que “jamais manteve qualquer interlocução com ela”.
A nota também declarou causar estranheza que as acusações tenham sido divulgadas às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25), quando Lula disputa a Presidência com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).