O pedido de prorrogação foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos dois inquéritos na Corte
A Polícia Federal (PF) quer mais tempo para apurar dois inquéritos que miram os empresários Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, e Roberta Luchsinger. As investigações tratam de um suposto esquema de tráfico de influência. Segundo elas, o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Roberta teriam intermediado contratos com o poder público. Os dois sempre negaram qualquer irregularidade.
O pedido de prorrogação foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos dois inquéritos na Corte. Há ainda uma terceira apuração sobre a dupla, essa sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Em nota, a defesa de Lulinha reagiu e chamou o pedido da PF de a “mais clara e genuína expressão” de pesca probatória — a chamada fishing expedition, quando as autoridades investigam de forma genérica, sem alvo definido.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a corporação pediu à sua área técnica o detalhamento dos vínculos societários de Lulinha, de suas movimentações bancárias e do registro de agendas dele e de outros alvos em órgãos públicos. Os investigadores também querem levantar as viagens feitas pela dupla e por outros investigados no Brasil e no exterior.
“Foram determinadas diversas diligências em prol da investigação, as quais ainda pendem de conclusão, notadamente em razão do exíguo lapso temporal transcorrido desde sua determinação”, diz o ofício da PF. “Mostra-se, portanto, necessária a dilação do prazo para a conclusão das diligências em curso.” O requerimento foi feito no início de outubro, quando se esgotou o prazo inicial de 60 dias.
No sábado 17, Roberta deu entrevista à CNN em que afirmou que Lulinha se reunia “semanalmente” com ministros do governo e disse pretender firmar uma delação premiada. Ex-apoiadora do presidente e ex-amiga do filho dele, a empresária reclamou de ter virado, nas suas palavras, “boi de piranha” nas investigações da PF.
“Não serei o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim”, disse a lobista. “O que eu fiz, se for crime, vou responder, vou me defender, vou responder ao devido processo legal que, aliás, é uma coisa que o presidente da República sempre disse muito sobre ele, mas sobre os outros a gente vê que é o contrário.”