Aliados de Flávio Bolsonaro e integrantes do governo Lula apostam que Alexandre de Moraes vai usar o andamento de um inquérito contra o senador e o advogado Willer Tomaz para reduzir a pressão por um impeachment do ministro no Senado. A investigação, relatada por Moraes no STF, apura possível lavagem de dinheiro com uso de casas de apostas.
Na live de ontem (26/10), o jornalista Cláudio Dantas afirmou que a expectativa de prisão pode virar moeda política. Ele disse:
“Então quer dizer que a expectativa de prisão pode virar um elemento de barganha para quê? Para reeleger o Alcolumbre. Para reeleger o Hugo Motta. Eu aposto nisso.”
Após a vitória de Lula no segundo turno, cresce a leitura de que o Supremo pode usar processos em andamento para influenciar o jogo no Congresso.
Tanto para o posição quanto para a base, a apuração pode servir para diminuir a temperatura de um eventual processo contra o ministro. A coluna não identifica os interlocutores que fazem essa avaliação.
Os movimentos já começaram. Horas após a derrota de Flávio para Lula nas urnas, Moraes mandou a Polícia Federal intimar o senador a entregar seus passaportes. Dois dias antes do segundo turno, na sexta-feira (23/10), o ministro já havia determinado a suspensão do passaporte de Willer. Segundo a PF, o advogado entrou nos Estados Unidos em 22 de agosto, sem registro de saída.
Cláudio Dantas também comentou o cenário eleitoral e a possibilidade de checar o resultado. Ele afirmou:
“Muita coisa a ser esclarecida? Sim, muita coisa a ser esclarecida. O problema de você não ter a materialização do voto significa que você não consegue auditar esse resultado.”
Para o jornalista, a leitura dos boletins de urna, os BUs, é o único ponto de checagem disponível. Ele também descreveu um impasse institucional: “É um beco institucional.”
Para que a estratégia funcione, a coluna aponta outro ponto. Além do inquérito, Moraes precisaria garantir a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado em 2027.
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