Casa Nóticias Kali, médico do presidente, diz que saúde de Lula o permite enfrentar o que quiser

Kali, médico do presidente, diz que saúde de Lula o permite enfrentar o que quiser

por admin
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O médico cardiologista Roberto Kalil Filho, que trata pessoalmente da saúde do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diz que o petista é um “jovem” de 78 anos. Afirma que o petista pratica exercícios e realiza consultas preventivas. Avalia que essa combinação é “elixir” e da longevidade.

“Ele [Lula] é um jovem com a idade que ele tem. Hoje, a idade é menos importante que o físico e a saúde. Há uma tese sobre a definição de velhice: o velho é um desistente da vida. A idade acumula. Mas você pode ser idoso, não velho. Em relação ao presidente, ele tem muita saúde. Pode enfrentar o que ele quiser na hora que quiser”, disse em entrevista ao Poder360.

Caso opte por se candidatar à reeleição, o presidente terá 80 anos durante a disputa de 2026, último ano de seu 3º mandato. Se vencer, assumiria o Planalto pela 4ª vez com 81 anos.

Roberto Kalil tem 65 anos. É presidente do Conselho Diretor do InCor (Instituto do Coração), diretor-geral de cardiologia do hospital Sírio-Libanês e professor titular de cardiologia da USP (Universidade de São Paulo).

Em sua carreira como médico, Kalil tratou diversos presidentes da República, ministros, empresários e artistas. Diz que, como médico, não pode diferenciar um paciente pelo seu cargo. A consequência, diz, é incorrer em erros por concessões durante o tratamento.

“Se está tratando um executivo importante, um ministro ou um presidente, a fantasia fica fora do consultório. A diferenciação pode incorrer em erros. Exemplo: supondo que seja necessário fazer exames para um diagnóstico, mas o executivo ou o presidente não tem agenda. Tem que dar um jeito. Não pode minimizar. Eu trato da mesma maneira”, disse.

Na conversa com o Poder360 no estúdio do jornal digital em Brasília, Kalil também falou sobre os riscos das fumaças que invadiram cidades brasileiras nas últimas semanas, a importância da prevenção para reduzir o risco de doenças cardíacas e da importância de aumentar o financiamento do SUS (Sistema Único de Saúde) para que haja hospitais públicos do padrão do InCor espalhados pelo país.

Leia trechos da entrevista:

Poder360 – De quantos presidentes o senhor cuidou ao longo da carreira?
Roberto Kalil Filho – Alguns.

O senhor continua cuidando da saúde do presidente Lula?
Sim. Há muitos anos.

E como está a saúde dele?
Sempre que o presidente faz uma avaliação de saúde, ele faz questão de tornar público seu estado, sempre transparente. Já teve alguns problemas, mas atualmente a saúde dele é muito boa e ele faz muito exercício. O exercício é o elixir da vida. E o presidente nunca deixou de lado. É uma pessoa normal e extremamente saudável.

Há alguma diferença entre tratar um presidente, por quem tantas vidas são influenciadas, e uma pessoa comum?
Não há nem pode haver. Tem que tratar todo paciente como paciente. Se está tratando um executivo importante, um ministro ou um presidente, a fantasia fica fora do consultório. A diferenciação pode incorrer em erros. Exemplo: supondo que seja necessário fazer exames para um diagnóstico. Mas o executivo ou o presidente não tem agenda. Tem que dar um jeito. Não pode minimizar. Eu trato da mesma maneira.

O presidente Lula, no passado, teve alguns desafios na saúde. Venceu um câncer e, hoje, tem uma idade avançada. Consegue enfrentar mais uma campanha eleitoral?
Ele é um jovem com a idade que tem. Hoje, a idade é menos importante que o físico e a saúde. Tem “velhos” com 40 anos. São pessoas doentes, que não fazem exercício, têm vícios. E há alguns com 70, 80 anos que fazem exercício e se cuidam. Há uma tese sobre a definição de velhice: o velho é um desistente da vida. A idade acumula. Você pode ser idoso, não velho. Em relação ao presidente Lula, ele tem muita saúde. Pode enfrentar o que ele quiser na hora que quiser.

Como médico, qual a rotina que o senhor recomenda para as pessoas pensando na longevidade?
Qualquer um de nós tem que caminhar 30 minutos por dia para prevenir a doença cardiovascular, que é o infarto e o AVC (Acidente Vascular Cerebral). Caminhar não é correr. É o ideal para todo ser humano. Você reduz o impacto de muitas doenças. O exercício reduz a incidência de tragédias.

Como a fumaça das queimadas que recentemente tomou uma série de cidades do país prejudica a saúde das pessoas?
De diversas formas. Primeiro tem o efeito nocivo ao aparelho respiratório, garganta, pulmões. Quem tem problema pulmonar sofre mais. E atrapalha as pessoas que fazem exercício. Você não vai fazer exercício ou caminhada em um ambiente cheio de fumaça e poluição.

Dentre os vícios mais comuns, qual o que mais preocupa os cardiologistas?
A doença cardiovascular, infarto e AVC, é o que mais mata no mundo, em todos os países. Morre, no Brasil, em média, uma pessoa a cada 90 segundos por infarto ou AVC. São centenas de milhares no ano. A grande arma é a prevenção. Os fatores de risco são os mesmos: pressão arterial, colesterol alto, tabagismo, diabetes, sedentarismo. Sabemos os fatores de risco. Mas nem todos se cuidam. Dos pacientes com hipertensão diagnosticada, só 30% a 40% seguem o tratamento. A prevenção é a grande arma contra esse índice de mortalidade. De outro lado, a medicina evoluiu. O paciente que infarta hoje e chega ao hospital, tem alta tecnologia, remédios para abrir as artérias. O infarto é quando uma artéria –que é um cano– que leva sangue ao coração entope com coágulo. Quanto antes abrir a artéria, maior a chance de sobrevida e qualidade de vida. Um problema sério é que uma parcela morre antes de chegar ao hospital. Por isso a prevenção é importante. E estar atento aos sintomas. Nunca ache que não é nada. Às vezes começa com um cansaço ou um sintoma que a pessoa ignora.

Até quanto tempo antes é possível perceber um infarto?
É muito relativo. Se você tem uma obstrução gradativa em uma artéria, mas ela não fechou ainda, dias, até semanas. Começa uma dor que pega a garganta, mas a pessoa acha que é angústia. Minimiza. Errado. Sentiu algo diferente, procure um médico. Pode não ser nada, mas pode ser uma condição pré-infarto.

Quanto das mortes por doenças cardiovasculares é possível evitar com prevenção?
De 30% a 40%. É bastante expressivo. Se cuida dos fatores de risco, evita.

O InCor foi escolhido o melhor hospital de cardiologia do país, da América Latina e um dos melhores do mundo. Quando a saúde pública brasileira será toda tão eficiente como exemplos como esse?
Me honra trabalhar lá há mais de 30 anos. Sou um defensor do SUS, é brilhante. Mas o sistema nasceu subfinanciado. Tem que ter estrutura melhor, modernização. Mas o subfinanciamento é sério. Sem dinheiro, não consegue fazer o que tem que fazer. No caso da cardiologia, o que é o ideal? Tem grandes hospitais públicos de cardiologia, o Dante Pazzanese e outros com alta tecnologia. O ideal seria ter um InCor em cada região do país. É óbvio que o atendimento da população em massa seria mais efetivo.

Tem quem diga que além dos recursos, falta uma melhora na gestão. O senhor concorda?
Sempre a gestão tem que melhorar. O Brasil não tem uma política de saúde. Mudam governos, alguns projetos param, outros são descontinuados. Não é só o federal. São os estaduais e municipais. Não há continuidade. E 4 anos é pouco tempo. No InCor estamos há quase 40 anos com a mesma política. Eu dei continuidade aos meus antecessores em todos os níveis. Pode estender para todo o SUS. Assistência, pesquisa e ensino. Mas falta dinheiro.

As emendas bagunçam o financiamento da saúde?
Emendas sempre são bem-vindas na saúde. Tem que ser bem aproveitada, bem canalizada. Qualquer dinheiro que vier, é bem-vindo.

A telemedicina é parte do futuro da saúde pública?
Ela ajuda, tem seu papel. Nunca vai ocupar o lugar do médico. Novos métodos sempre geram reações de alguns médicos. Será que vai me substituir? Não. A relação do médico com paciente é importante e não vai deixar de existir. A telemedicina tem papel no ensino, na pesquisa e na assistência. E tem que ser bem usada. Não substitui o pessoal. Na covid, auxiliamos UTIs em várias regiões sobre como cuidar dos pacientes com telemedicina. Ocupou espaço.

A robótica e a inteligência artificial entraram também no dia a dia da medicina. O Sírio terá um robô para o primeiro atendimento, certo?
Robótica está há muito tempo na medicina. Exemplo são as cirurgias por robô. No cateterismo, há ajuda da IA (Inteligência Artificial) para colocar stent. A IA veio para ajudar. Teremos um robô concierge. Ele recebe o paciente, talvez interne. Mas é um projeto bem no início, faremos teste nas próximas semanas. Não é fácil. Hoje temos robôs levando remédio no Sírio. E ele ainda fala: “Sou um robô, estou aqui para ajudar o ser humano”. E a IA vai alavancar o diagnóstico.

No Sírio e no InCor já se utilizam algoritmos para tratar pacientes?
No cateterismo temos um programa que a IA ajuda o cálculo de colocação de stent.

Seu nome é influente dentro e fora da política. Em algum momento pensou em entrar para a política?
Não. Recebi alguns convites durante a vida, mas não. Minha vida são meus pacientes. Eu dificilmente largaria. Tanto no público quanto no privado. Não podemos dizer nunca, mas não tenho pretensão de largar esse meu dia a dia que eu adoro.

Se o senhor puder fazer uma sugestão de política pública de saúde aos governantes, o que seria?
O conselho é que as autoridades vejam com carinho mais verba para a saúde. Se tem mais dinheiro, claro que a gestão tem que modernizar. Tem que haver uma transformação. O SUS atende mais de 100 milhões de pacientes. E agora mudou o perfil, de jovem para mais idoso no SUS. E tem que ter prevenção. E reduzir o tempo para conseguir especialista.

Fonte: Poder360



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