Militares que se opuseram ao plano de golpe de Estado articulado por alguns pares tiveram uma atuação decisiva para evitar que a ideia saísse do papel, segundo a investigação da Polícia Federal.
O que aconteceu
Negativa do comando do Exército e da Aeronáutica. A investigação da PF mostra que o ex-presidente Jair Bolsonaro buscava apoio do Exército para concluir o golpe mas não obteve o apoio dos comandantes do Exército, Freire Gomes, e da Aeronáutica, Baptista Junior, que se posicionaram contrários a qualquer medida que causasse ruptura institucional no país.
Segundo o relatório da PF eles eram chamados de “melancias” pelos golpistas. A negativa dos generais irritou os demais militares que passaram a tratá-los por “melancias”, numa referência à cor identificada com a esquerda. “Embora vistam a farda de cor verde, por dentro seriam vermelhos, cor identificada ao referido espectro político”, explica o relatório.
Ministro da Defesa e chefe da Marinha eram a favor do golpe. A PF aponta que os então comandante da Marinha, Almir Garnier, e ministro da Defesa, Paulo Sergio, “aderiram ao intento golpista”, diz o relatório.
No relatório ele é apontado como um “obstáculo” ao golpe. Segundo a PF, os militares-assessores atuaram de forma deliberada para estabelecer uma relação de confiança entre o comandante do Exército, Freire Gomes, e Bolsonaro. O general é um oficial militar com formação em forças especiais e, por isso, acesso às técnicas de forças para ambientes “politicamente sensíveis”.
Ele se recusou a assinar o decreto golpista e resistiu às pressões de seus subordinados e de aliados do governo. A PF destaca que Freire Gomes se tornou um dos principais alvos dos ataques e campanhas de desinformação e difamação por parte dos golpistas.
Tenente-brigadeiro da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Junior
Resistência ao golpe. Ao lado de Freire Gomes, o tenente-brigadeiro Baptista Júnior rechaçou qualquer adesão de suas respectivas forças ao intento golpista, segundo o relatório da PF. “Não concordariam com qualquer ato que impedisse a posse do governo eleito”, diz o relatório.
General Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva
Difamação orquestrada. Como os outros militares que rejeitaram o convite para participar do golpe, ele foi alvo de uma campanha de difamação orquestrada pelo general Braga Netto. Integrante do alto-comando do Exército, o relatório diz que ele adotou uma posição institucional, opondo-se a qualquer ação ilícita das forças armadas
General André Luís Novaes Miranda
O relatório da PF afirma que o General Novaes recomendou que os militares não participassem de atos no dia 7 de setembro de 2022. Após recomendação, ele também passou a ser alvo de vários ataques orquestrados pelo que a PF aponta como uma organização criminosa, por terem se posicionado contrários à ruptura institucional.
General Guido Amin Naves
Foi exposto por ser contrário ao plano. Ele chefiava o Departamento de Ciência e Tecnologia da Força Terrestre. É apontado como um dos generais contrários ao golpe que foram expostos pelo coronel Bernardo Romão Corrêa Netto e pelo adido de defesa, coronel Fabrício Moreira de Bastos.
Fotografias do general foram para o X. A PF mostra que pelo menos um perfil publicou as fotos dos generais, após mensagens serem trocadas entre Corrêa Netto e Bastos. Na legenda: “Dos dezenove generais, estes cinco canalhas não aceitam a proposta do povo. Querem que Lularapio assuma (…)”. “A publicação ainda pede para que as fotos dos generais sejam disseminadas na plataforma para serem expostos”, aponta o relatório.
Fonte: Uol