A dona do imóvel destruído, Cristina Rocha, comprou a casa em 2015, e, segundo ela, o imóvel não tinha nenhuma rachadura nas paredes ou sinal de avaria e ficava a cerca de 200 metros da água com a maré baixa. Na maré alta, essa distância dimuía para poucos metros. Mas, em agosto deste ano, parte do imóvel ruiu. “De uma hora para a outra, o problema apareceu”, disse.
Ainda de acordo com a empresária, o prejuízo chega a mais de R$ 1 milhão, considerando o valor do imóvel e contratos de aluguel, uma vez que ele também era alugado para eventos.
“Tive de devolver o dinheiro para alguns clientes”, afirmou ela, que não poderá mais alugar o espaço na próxima temporada de verão. Ela disse também que sabia que havia uma decisão judicial que impedia reformas nos imóveis da região, mas acreditou a medida seria ‘derrubada’.
De acordo com o pesquisador da UFS, Júlio César Vieira, nesse caso, essa erosão foi provocada pela ocupação irregular em uma área que antes era estabilizada por restingas e manguezais.
“É importante pontuar que uma situação de desastre dessa natureza não se configura de forma repentina. São anos e até décadas de falhas nos princípios básicos de boas condutas na ocupação desses territórios ambientalmente sensíveis. De forma que na Ponta do Saco não é possível colocar a causa desses desastres nas mudanças climáticas e alterações do nível do mar”, explicou o pesquisador.
Ainda segundo Júlio César Vieira, o problema também está relacionado a construções indevidas de quebra-mar, feitas a partir de iniciativas individuais e descriteriosas, o que agrava os eventos erosivos.
“É preciso compreender que tudo que acontece no continente, terá reflexo nas regiões litorâneas. Por exemplo, quando as matas ciliares de um rio, como o Piauí, são devastadas, quando suas nascentes são atrofiadas e o rio acaba por perder vazão, isso terá reflexo direto na região da sua desembocadura, já que o perfil de equilíbrio entre rio e mar será alterado”, explicou o pesquisador.
A construção da Ponta do Saco não foi a única afetada na área, divisa de Sergipe com a Bahia. Parte dos moradores já deixou o local, e tradicionais bares em palhoças foram abandonados.
Com informações g1