(CNN) — Antigamente, acreditava-se que o rubor era a “mais peculiar e humana de todas as expressões”, como disse Charles Darwin, mas um novo estudo descobriu que as galinhas compartilham essa peculiaridade e também podem expressar seu medo ou excitação dessa maneira.
“Nossa pesquisa mostra que as galinhas domésticas são sensíveis e têm maneiras muito sutis de expressar suas emoções”, disse à CNN a colíder do estudo, Aline Bertin, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola.
Junto com pesquisadores de vários institutos franceses e da Universidade de Tours, o estudo de Bertin descobriu que as galinhas arrepiavam as penas da cabeça quando estavam contentes e calmas, e que corar por alguns segundos indicava uma reação à excitação — em situações positivas, como esperar para comer larvas de farinha — bem como em situações de medo, como ser capturado.
“Em humanos, o rubor é frequentemente associado à vergonha ou constrangimento, mas também aparece na expressão de uma gama de emoções, como raiva ou alegria”, Bertin acrescentou. “Embora as emoções de uma galinha não sejam diretamente comparáveis às experimentadas por humanos, mostramos que elas também ficam vermelhas em segundos durante emoções fortes.”
Uma expressão de pouca vermelhidão e penas eriçadas na cabeça sugere que as galinhas estão calmas e seguras, fornecendo conhecimento que pode ser usado para avaliar seu bem-estar, concluiu o estudo, publicado quarta-feira no periódico Plos One.
Embora as expressões faciais tenham sido investigadas em vários outros mamíferos, como cães, cavalos, porcos e camundongos, elas não foram tão amplamente estudadas em pássaros.
Para entender como as galinhas expressam visivelmente as emoções, os pesquisadores passaram quatro semanas em uma fazenda francesa observando 17 galinhas de duas raças diferentes, disse Bertin, filmando seus comportamentos rotineiros e suas reações a diferentes estímulos.
Cada um tinha suas peculiaridades e personalidades – alguns “se assustavam muito facilmente com o menor ruído, enquanto outros reagiam muito menos”, disse Bertin, acrescentando que essas diferenças individuais são uma área para estudo mais aprofundado.
Para tirar conclusões mais gerais, os pesquisadores extraíram imagens de dois em dois segundos do filme e selecionaram aquelas que mostravam a galinha de perfil para melhor estudá-las.
Embora os pesquisadores não tenham conseguido explicar o mecanismo pelo qual as galinhas ficam vermelhas neste estudo, eles concluíram que as bochechas e os lóbulos das orelhas revelavam mais as emoções das aves do que a crista ou as barbelas.
Os pesquisadores reconheceram as limitações de sua conclusão – notavelmente que filmar galinhas em seu habitat natural sem uma fonte de luz controlada poderia dificultar a identificação de mudanças específicas de cor, enquanto mudanças de temperatura poderiam ter influenciado a mudança de cor da pele também.
No entanto, para mitigar isso, os pesquisadores analisaram as imagens usando termografia infravermelha, que não produziu o mesmo efeito, sugerindo que houve pouca mudança na temperatura e que as cores nas imagens estavam relativamente bem equilibradas.
É claro que há uma subjetividade na análise das emoções humanas, e muito menos das animais.
“Sem linguagem, a experiência subjetiva permanece inacessível”, disse Bertin. Em vez disso, os cientistas definem emoções como “respostas comportamentais, fisiológicas e cognitivas a estímulos ambientais”, ela disse, e medem coisas como frequência cardíaca ou observam o comportamento de um animal.
Com base nos resultados deste estudo, Bertin espera investigar se essas demonstrações de emoção estão ligadas às interações sociais das galinhas, bem como as implicações para o bem-estar animal.
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