Em uma decisão que pode repercutir significativamente nas políticas educacionais do governo federal, o ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), determinou o bloqueio de R$ 6 bilhões destinados ao programa Pé-de-Meia. Esta medida cautelar foi tomada devido a supostas irregularidades na execução orçamentária do programa, que paga mesadas a estudantes de baixa renda para incentivar a permanência no ensino médio.
De acordo com a análise do TCU, os recursos do Pé-de-Meia estavam sendo operados fora do Orçamento Geral da União, o que caracteriza uma violação das regras fiscais vigentes. A decisão de Nardes foi baseada em uma série de reportagens do UOL que revelaram a falta de transparência e autorização parlamentar para os pagamentos realizados pelo programa.
A área técnica do TCU apontou que o uso de fundos privados, como o Fundo Garantidor de Operações (FGO) e o Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (Fgeduc), para financiar o Pé-de-Meia, sem o devido registro no orçamento da União, constitui um “orçamento paralelo”, prática que desrespeita os princípios constitucionais de universalidade orçamentária e transparência.
O bloqueio dos recursos pelo TCU foi referendado pelo plenário do tribunal, que concordou com a necessidade de garantir a conformidade com as leis orçamentárias. O governo federal, por meio dos Ministérios da Educação e da Fazenda, e da Caixa Econômica Federal, foi chamado a prestar esclarecimentos sobre os métodos de execução do programa.
Em resposta, o Ministério da Educação afirmou que todos os aportes do Pé-de-Meia foram aprovados pelo Congresso Nacional e seguiram as normas orçamentárias vigentes. No entanto, a falta de transparência nos gastos e a ausência de registros apropriados no orçamento anual levantaram preocupações sobre a gestão dos recursos públicos.
Por Júnior Melo