O nome de Alexandre Ramagem passou a constar nesta segunda-feira (13) no sistema do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) como pessoa sob custódia. A Polícia Federal confirmou a detenção. Ramagem estava foragido desde setembro de 2025, quando deixou o Brasil de forma clandestina pela fronteira de Roraima com a Guiana.
Segundo informações preliminares, ele foi abordado em Orlando, na Flórida, por volta das 11h no horário local, enquanto caminhava na rua. Os agentes do ICE recusaram seus documentos e o encaminharam a um centro de detenção na cidade.
O advogado Paulo Figueiredo, sócio da Immigrex — escritório que representa Ramagem —, divulgou nota e classificou o episódio como de natureza exclusivamente migratória. “Ramagem não foi preso, mas detido após uma abordagem policial em Orlando, inicialmente por uma infração leve de trânsito e, na sequência, encaminhado ao ICE — procedimento comum na Flórida”, afirmou.
Ele acrescentou que o status de Ramagem é regular. “Ele possui um pedido de asilo pendente, protocolado há tempos e ainda sob análise, o que lhe permite permanecer legalmente nos Estados Unidos até a decisão final do caso.”
Figueiredo descartou risco de deportação e separou os institutos jurídicos envolvidos. “Extradição e deportação não têm absolutamente nada a ver entre si: extradição é um processo político-diplomático entre Estados, conduzido pelo Departamento de Estado; deportação é um procedimento administrativo interno de imigração. O caso em questão é exclusivamente migratório.”
Sobre eventual participação do governo brasileiro, foi categórico: “O governo brasileiro não teve qualquer participação nesse episódio. Isso não tem absolutamente nada a ver com o pedido de extradição do Brasil, que segue em análise no Departamento de Estado.”
Ramagem foi condenado pelo STF a mais de 16 anos de prisão por organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado. A fuga ocorreu em 9 de setembro de 2025, mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes leu seu voto pela condenação. Ele apresentou atestado médico à Câmara dos Deputados cobrindo o período de 9 de setembro a 12 de dezembro e deixou o país pela fronteira terrestre de Roraima com a Guiana, de carro e de forma clandestina. De Georgetown, capital guianense, embarcou para Miami com passaporte diplomático — documento cancelado em dezembro de 2025, após a cassação do mandato pelo Congresso Nacional.
A fuga contou com apoio logístico de Celso Rodrigo de Mello, 27 anos, filho do empresário e garimpeiro Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, amigo de Ramagem. Celso foi preso pela PF em Manaus, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, por suspeita de financiar e organizar a saída do ex-deputado do país. A defesa de Celso afirma inocência e diz que “qualquer conclusão antecipada não condiz com os fatos.”
O pedido de extradição foi formalizado pelo Ministério da Justiça em 30 de dezembro de 2025 e encaminhado ao Departamento de Estado pelo governo brasileiro. Em janeiro de 2026, o ministério informou ao STF que a documentação havia sido entregue. Moraes também determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol, o que viabilizou sua detenção por autoridades estrangeiras. O governo brasileiro aguarda mais informações sobre o processo de retorno ao país.