Durante o programa ALive desta segunda-feira (20), o ex-governador Romeu Zema (Novo) disse que não sabia que uma decisão tomada por Gilmar Mendes pró-Minas Gerais o colocaria “em dívida” com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A declaração foi feita pelo pré-candidato à Presidência após ser alvo do magistrado nos últimos dias por criticá-lo. Gilmar acusa o mineiro de praticar “política do utilitarismo”, já que ele supostamente tem “atacado” o Supremo mesmo tendo recebido “socorro institucional” da Corte quando governava o estado.
“O ministro teve de decidir uma questão que envolveu Minas Gerais. Eu estive lá pessoalmente com ele, com outros ministros, e eu suponha que ele tivesse tomado a decisão baseada na lei e na Constituição, e não que ele tivesse feito alguma coisa diretamente, pessoalmente, a mim”, afirmou Zema, que completou: “E que isso significasse que, a partir daquela ocasião, eu ficasse em dívida com ele”.
Para Zema, “qualquer brasileiro que é acionado na Justiça ou que entra com uma ação, eu acho que parte do princípio que aquilo vai ser julgado de acordo com a lei, e que ele não ficará nem em dívida, nem com crédito, independente da decisão do juiz”.
“Então fica muito claro como é que esse senhor pensa”, afirmou o ex-governador mineiro. “É um pensamento totalmente distorcido, um pensamento que expõe claramente que eles consideram que toda decisão que tomam, eles façam a ser credores de alguém”.
“No meu caso, não são credores, inclusive não sou mais governador de Minas, e a decisão que ele tomou foi uma decisão técnica”, completou.
“Ir para o Supremo é quase que semelhante a ser indicado como Papa”
Ainda durante a entrevista, Zema afirmou que uma das propostas dele para um “novo Supremo”, como declarou no anúncio do seu plano de governo, é estabelecer idade mínima de 60 anos para ministros da Corte.
Segundo Zema, na sua visão e de seu partido, “ir para o Supremo é quase que semelhante a ser indicado como Papa”:
“Você não vê Papa com 35, 40 anos de idade. Ser Papa e ser Ministro do Supremo tem uma semelhança: é o coroamento de uma longa carreira, principalmente da magistratura, do Ministério Público, para muitos, ou algum acadêmico do direito, e queremos também mais filtros, que não seja somente o presidente que participe dessa indicação, que haja também participação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Ministério Público Federal”.
De acordo com ele, essas medidas diminuem “essas aberrações que nós temos acompanhado aí nos últimos 20 anos, em que ex-advogado do presidente foi nomeado, ex-advogado do PT foi nomeado, o Supremo não merece esse tipo de indicação”. O ex-governador também disse que é “totalmente contrário” a decisões monocráticas.
“São essas as principais mudanças. Eu falo que o Brasil hoje é um país desfuncional, um país que anda igual um carro com freio de mão puxado, devido a todas essas aberrações que foram, talvez, criadas com boa intenção no passado, mas que nós estamos vendo não ajudam a termos uma gestão pública melhor, muito pelo contrário, têm prejudicado”, afirmou Zema. “Então são mudanças simples, mas que eu tenho certeza que contribuirão”.
“E tudo isso, lembrando, será levado ao debate, pode ser enriquecido com propostas de outros partidos, outros especialistas”, completou.
ASSISTA AO PROGRAMA DE HOJE: