O candidato de direita Abelardo de La Espriella, do movimento Defensores da Pátria, venceu neste domingo (21) o segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia, de acordo com a 1ª contagem de votos divulgada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O empresário superou Iván Cepeda, de esquerda, por cerca de 250 mil votos.
Após a divulgação do resultado preliminar, De La Espriella afirmou nas redes sociais que a vitória representa o início de uma nova fase para o país. Segundo ele, a eleição marca “uma nova etapa para o país, uma etapa construída sobre a vontade livre e democrática de milhões de cidadãos que decidiram acreditar em uma Colômbia grande, segura, próspera e repleta de oportunidades”.
“Obrigado por nos escolherem. Obrigado por acreditarem. Com a ajuda de Deus e o trabalho de todos os colombianos, a Pátria Milagre será uma realidade”, continuou Espriella. “Hoje, mais do que nunca, quando a democracia e a vontade popular se pronunciaram, seguimos firmes pela Pátria”.
O candidato de esquerda derrotado, Cepeda, do Pacto Histórico, afirmou que a contagem divulgada ainda não tem caráter oficial e disse que aguardará a conclusão do processo eleitoral para se pronunciar definitivamente. “Com o escrutínio oficial, reconheceremos o resultado”.
Já o presidente de esquerda e ex-guerrilheiro Gustavo Petro, apoiador de Cepeda, também questionou o resultado preliminar. Segundo ele, “há muitas irregularidades” na disputa e o reconhecimento do vencedor dependerá da conclusão da recontagem conduzida por mais de 9 mil juízes e notários.
Pela legislação da Colômbia, a apuração ocorre em duas etapas. A 1ª é o chamado “preconteo”, uma contagem preliminar baseada nas atas das seções eleitorais e utilizada para projetar o resultado. A 2ª fase é o “escrutínio”, considerado o procedimento oficial, no qual juízes e autoridades eleitorais revisam os documentos para corrigir eventuais inconsistências. A conclusão desse processo está prevista para esta segunda (22).
A vitória de De La Espriella marca o retorno da direita ao comando da Colômbia após o governo de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história do país. O resultado também reforça a presença de governos de direita na América Latina.
Com 47 anos, De La Espriella disputa pela 1ª vez um cargo eletivo. Empresário, advogado criminalista e integrante do partido Defensores da Pátria, construiu sua campanha com foco em segurança pública, combate ao crime organizado e redução do tamanho do Estado.
Durante a campanha, ganhou projeção nacional como um dos principais opositores de Petro e defendeu medidas inspiradas em políticas adotadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e pelo presidente da Argentina, Javier Milei. Entre as propostas apresentadas estão o endurecimento das penas criminais, a construção de grandes presídios, a ampliação das operações de segurança e o fim da política de “paz total” implementada pelo atual governo.
O candidato também costuma citar como referências políticas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de Bukele e Milei. De La Espriella recebeu apoio do líder norte-americano.
Sua candidatura avançou em meio ao desgaste enfrentado pelo governo Petro, especialmente nas áreas de segurança e economia. Ao longo da campanha, defendeu o fortalecimento do combate às organizações criminosas e a revisão de políticas adotadas pela atual administração.