Prêmio pela defesa da liberdade de expressão foi concedido pela organização Civilization Works, do jornalista Michael Shellenberger. Deputado Marcel van Hattem também foi premiado.
Na noite de 18 de junho, durante a terceira edição do Westminster Free Speech Forum, em Londres, os jornalistas David Ágape e Eli Vieira receberam o Free Speech Courage Award, prêmio da Civilization Works destinado a reconhecer a coragem na defesa da liberdade de expressão. Também foi agraciado o deputado federal Marcel Van Hattem (NOVO-RS).
A premiação foi entregue pelo jornalista americano Michael Shellenberger, fundador da Civilization Works e um dos principais nomes do jornalismo investigativo sobre censura no mundo.
O reconhecimento foi concedido pelo trabalho desenvolvido na reportagem conhecida como Vaza Toga 2. A investigação revelou documentos internos do Judiciário brasileiro que mostram como publicações em redes sociais foram utilizadas para justificar prisões e manutenção de detenções relacionadas aos acontecimentos de 8 de janeiro.
Ao receber a homenagem, David Ágape dedicou o prêmio às vítimas do 8 de janeiro e a todos aqueles que continuam enfrentando pressões e perseguições por buscarem a verdade. Mais do que um reconhecimento individual, a cerimônia teve um forte significado simbólico: uma homenagem ao Brasil e às pessoas que resistem ao avanço da censura e da perseguição política.
O que é o Westminster Free Speech Forum
O Westminster Free Speech Forum é um encontro anual e privado organizado pela Civilization Works, realizado em Londres sob as regras de Chatham House. O modelo permite que os participantes discutam livremente temas sensíveis sem exposição pública de suas identidades ou declarações.
A edição de 2026 ocorreu entre os dias 18 e 20 de junho e reuniu representantes de 15 países, entre jornalistas, acadêmicos, parlamentares, juristas, pesquisadores e ativistas ligados à defesa da liberdade de expressão.
O evento surgiu em 2023 e deu origem à Declaração de Westminster, documento assinado por dezenas de intelectuais, jornalistas e acadêmicos de diferentes correntes ideológicas que alertaram para o crescimento de estruturas de censura articuladas entre governos, organizações não governamentais e plataformas digitais.
Desde então, o fórum tornou-se um dos principais espaços internacionais de discussão sobre liberdade de expressão, censura institucional, regulação das redes sociais e uso político de leis contra desinformação.
A criação do Free Speech Courage Award, em sua primeira edição, buscou reconhecer pessoas que enfrentam custos profissionais, políticos e pessoais para expor abusos de poder e defender direitos fundamentais.
A omissão no Brasil
A repercussão do prêmio no Brasil, entretanto, revelou um contraste curioso. Antes mesmo da publicação das reportagens, o deputado Marcel Van Hattem informou à imprensa os nomes dos três homenageados pela Civilization Works. Apesar disso, a cobertura da Folha de S.Paulo concentrou-se exclusivamente no parlamentar.
A reportagem utilizou uma fotografia antiga de Van Hattem ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro e não mencionou os jornalistas que receberam a mesma premiação pelo trabalho investigativo realizado na série Vaza Toga 2.
Após a publicação, Van Hattem entrou em contato com o jornal solicitando a correção da matéria para incluir os demais premiados. O pedido foi ignorado.
O episódio não foi isolado. Outros veículos de mesma linha editorial sequer noticiaram sobre o assunto. São os mesmos veículos que também haviam se recusado a publicar sobre a Vaza Toga 2.
Veículos como Gazeta do Povo, Revista Oeste e Diário do Poder registraram a premiação mencionando os três agraciados e contextualizando o trabalho realizado.
Nas redes sociais e na mídia independente, a repercussão ocorreu de forma espontânea, com manifestações de apoio de leitores, jornalistas e defensores da liberdade de expressão no Brasil e no exterior.
Um reconhecimento ao jornalismo independente
Receber um prêmio internacional na primeira edição do Free Speech Courage Award representa um reconhecimento importante não apenas para os profissionais diretamente envolvidos, mas também para o jornalismo independente que continua investigando temas que muitos prefeririam manter ocultos.
A série Vaza Toga 2 nasceu justamente desse compromisso: confrontar versões oficiais e trazer ao público informações de interesse público, independentemente das pressões envolvidas.
Seguiremos fazendo o mesmo trabalho que orienta A Investigação desde sua criação: investigar aquilo que tentam esconder, publicar o que os documentos mostram e permitir que os fatos falem por si.