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Digimais chega a R$ 2 bi em caixa após aporte da Record – Paulo Figueiredo

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O banco Digimais, alvo de operação da Polícia Federal (PF) nesta semana, recebeu recentemente um aporte do Grupo Record e passou a contar com cerca de R$ 2 bilhões em caixa, de acordo com informações da Folha de S. Paulo. Tanto a instituição financeira quanto o grupo de comunicação pertencem ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

Segundo o jornal, o aporte foi realizado pela Digimais Participações, controladora do banco, que integra a B.A. Empreendimentos Participações, holding pertencente à Record.

Os recursos vieram de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) emitidos pelo próprio controlador e de outra parcela captada no mercado por meio desses títulos. Ainda de acordo com a Folha, a operação faz parte “das negociações com o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para a venda do banco”.

Um novo aporte poderá ser realizado enquanto não há definição sobre a negociação com o BTG Pactual, de André Esteves. As duas instituições assinaram um acordo de intenção de compra em abril deste ano.

Após a operação da PF, porém, a conclusão do negócio perdeu força. O BTG informou que a transação continua condicionada à realização de um processo competitivo e à escolha de sua proposta como vencedora, etapas que, segundo o banco, ainda não ocorreram.

Pelas regras mais recentes do FGC, operações de socorro a instituições financeiras devem ocorrer por meio de leilão, vencido pela proposta que representar o menor custo para o fundo em caso de eventual quebra do banco.

O BTG apresentou uma oferta de referência com os termos da operação, mas o certame ainda não foi realizado. Pessoas ouvidas pela Folha afirmaram que “entre as condições colocadas está a necessidade de um aporte maior a ser feito pelo bispo Macedo”.

A investigação da PF apura suspeitas de que o Digimais tenha manipulado demonstrações financeiras para ocultar sua real situação patrimonial e transmitir aparência de solidez aos órgãos de fiscalização. Os investigadores apuram crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em relatórios e concessão de empréstimos e financiamentos vedados pela legislação.

Um dos principais focos da investigação também é a compra de precatórios, títulos que representam valores a receber do poder público por decisão judicial.

Na operação deflagrada na última terça (23), a Justiça autorizou nove mandados de busca e apreensão contra diretores, conselheiros e empresas ligadas ao Digimais, além do bloqueio de bens de até R$ 670 milhões e da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Crédito Claudio Dantas



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