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Correios de Lula destruíram minha empresa

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O ALive desta sexta-feira (24) recebeu o empresário Adriano Hamu, dono da GO2B, que era o maior fornecedor de mão de obra terceirizada dos Correios e que tomou um calote de quase R$ 400 mi da estatal no governo Lula 3. Na entrevista, disse que iniciou a prestação de serviços no governo Bolsonaro, mas que os problemas começaram a surgir em 2023, com o petista no poder.

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“Eu prestei serviço para o Correio de 2020 até o final de 2023, nós vencemos 39 licitações, assinamos 44 atos registros de preço, que geraram, no total, 166 contratos com valor aproximado de R$ 600 milhões”, explicou. “Nós atuávamos em 12 estados para o Correio e chegamos a ter 7 mil funcionários trabalhadores prestando serviço para o Correio, tanto na área de distribuição quanto na área de tratamento, que é a área de logística, que são os grandes centros que precisam desta mão de obra para poder movimentar toda a parte de logística dos Correios”.

No entanto, quando chegou 2023, as coisas desandaram, segundo Hamu: “Foi um ano muito complicado, nós tivemos a mudança da presidência dos Correios, quando o presidente Fabiano assumiu, e, em 2023, eu passei a suportar uma inadimplência [por causa da estatal] que não tinha suportado até então”.

“A gente sabe como funciona, como você presta serviços ligados a licitações, a gente sabe que ter um atraso ou outro é comum e a gente dá um jeito de conduzir isso. Mas efetivamente, em 2023, essa inadimplência chegou, em abril, e maio, a R$ 50, R$ 60 milhões. Quando foi chegando a junho e julho, já estava em R$ 80 milhões e passei o ano inteiro recebendo promessas de resolução”, continuou o empresário.

Hamu disse que, porém, percebeu depois de um tempo que as promessas eram falsas: “Demorei muito a perceber que, na verdade, a intenção nunca foi resolver, a intenção nunca foi efetuar qualquer tipo de pagamento para mim ou regularização dos valores”.

De acordo com ele, a situação “atingiu seu ápice em termos de inadimplência” por parte dos Correios quando, entre outubro e novembro, fizeram uma promessa de que pagariam um valor entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões, sem correção monetária, mas, no fim das contas, “resolveram que iriam reter esse valor e eu ia levar mais de 60 a 90 dias para receber qualquer coisa novamente”.

“Esse era o dinheiro que eu ia girar para poder fazer décimo terceiro, fazer minha prestação de serviço, e isso estava previsto para pagamento, eram faturas em atraso e sem correção financeira”, lamentou, destacando ainda que, se quisesse a correção financeira, os Correios o informaram que ele deveria “judicializar processos”.

Após a retenção desse valor, Hamu disse que, “infelizmente”, teve “que suspender os serviços” para a estatal: “Só que, no momento em que eu suspendi os serviços, os Correios trataram isso de uma forma a tentar inverter a causa, que é um ‘modus operandi’ dos Correios”.

“É um ‘modus operandi’ pelo qual vários empresários terceirizados passaram no ano de 2023 e estão passando entre 2024 e 2025, que é o quê? Eu [Correios] inviabilizo o meu fornecedor, causo a inadimplência contratual do meu fornecedor e, depois, aquilo que eu devo para ele eu não pago”, explicou o empresário.

“Jogando isso, um processo, uma gama de processos em cima deste fornecedor, de forma que eu nunca tenha que pagar aquilo que eu tinha que ter pago no momento em que eu deveria ter pago”, prosseguiu.

Ele disse que até junho ou julho de 2023 “não tinha processos sancionatórios ou administrativos” até que, quando reclamou e começou a bater de frente, começaram a surgir: “90,21% dos processos sancionatórios contra a minha empresa ocorreram a partir de junho ou julho de 2023”.

“Eu passei a bater muito de frente, eu cobrava. Eu informava: ‘olha, eu não vou conseguir garantir o serviço se eu não receber corretamente’, ‘ah não, nós vamos resolver, Adriano’, resolveram 20 milhões, tudo bem, você resolveu 20 milhões, só que você não me pagou correção nenhuma disso, e, para receber esse valor, eu ainda tive que fazer uma antecipação financeira com você’”.

Hamu disse que os Correios foram “destruindo aos poucos” a sua empresa e lhe causando uma “inadimplência forçada”: “‘Eu te devo R$ 400 milhões, mas você foi inadimplente. […] Se você atrasar o salário, eu vou te penalizar’, mas eu estou atrasando o salário porque você não está me pagando, você está levando 400 dias para conseguir me pagar, ‘mas aí você vai ser penalizado, agora, se você quiser entrar com processo administrativo para poder tentar reaver isso, faça isso’”.

“Então, além do processo da inversão e de forçar o fornecedor a ficar inadimplente, você ainda passa por uma situação na qual você precisa se endividar para continuar prestando serviço, e, no momento em que a coisa explode, simplesmente ele abandona o fornecedor, e mais de 7 mil trabalhadores ficaram sem receber”, criticou.

O empresário ainda cobrou alguma atitude de Lula e dos Correios para sua situação: “Cadê essa presidência, seja do Brasil, seja a dos Correios, que se preocupa com o que a gente sabe que são os trabalhadores que precisam receber, e que permitem que isso aconteça?”.

Ele finalizou dizendo que conhece a história de diversos empresários “espalhados pelo Brasil” que estão passando pela mesma situação e ninguém faz nada: “Foi só mudar a gestão dos Correios, essa governança desgovernada assumir, que a coisa degringolou de uma forma que é surreal”.

Foto: Reprodução/YouTube @ClaudioDantasOficial

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