O governo da França anunciou nesta sexta-feira (31) o reforço da fiscalização na fronteira com a Espanha após a chegada de cerca de 60 mil imigrantes ao enclave espanhol de Ceuta, no norte da África. A medida foi anunciada pelo presidente francês Emmanuel Macron, que manifestou apoio ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, diante da crise migratória.
Macron afirmou que entrou em contato com Sánchez para oferecer apoio político e operacional, incluindo a possibilidade de auxílio da Agência Europeia de Fronteira e Guarda Costeira (Frontex). Segundo o presidente francês, a cooperação entre Espanha e Marrocos já permitiu o retorno de milhares de pessoas que haviam atravessado irregularmente para o território espanhol.
“Diante da situação migratória em Ceuta, estive em contacto com o Presidente do Governo espanhol para marcar a nossa solidariedade e propor toda a ajuda necessária”, declarou Macron.
Além do apoio à Espanha, o governo francês determinou o aumento da vigilância na fronteira entre os dois países. Segundo Macron, unidades de forças móveis, aeronaves e drones foram mobilizados para reforçar o controle da região e combater novas tentativas de entrada irregular.
“Pedi ao ministro do Interior que reforçasse os controles na nossa fronteira com Espanha”, afirmou o presidente francês.
A crise em Ceuta teve início após uma onda de travessias a partir do Marrocos. Segundo autoridades locais, cerca de 60 mil pessoas chegaram ao enclave espanhol nas últimas horas, principalmente jovens marroquinos. Pelo menos 34 pessoas morreram durante a tentativa de atravessar o mar.
Reação europeia
A situação provocou preocupação entre governos europeus. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou as imagens da chegada em massa de imigrantes como “inaceitáveis” e defendeu o combate às redes de tráfico humano.
“Não podemos permitir que ninguém venha à nossa União sem cumprir as nossas regras”, afirmou.
A Itália também reagiu à crise e anunciou a suspensão temporária do livre fluxo de pessoas com a Espanha previsto pelo acordo de Schengen, que permite a circulação sem controles internos entre países participantes da União Europeia. A medida, segundo Roma, busca reforçar a segurança diante do aumento do fluxo migratório.
Sánchez culpa tráfico humano
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou a chegada em massa como uma “violação e ataque à integridade territorial da Espanha”. Segundo ele, redes de tráfico humano teriam incentivado as travessias após disseminarem uma interpretação considerada equivocada de uma decisão judicial sobre a repatriação de migrantes.
Sánchez afirmou que o governo espanhol trabalha para restabelecer o controle da fronteira e destacou a cooperação com o Marrocos para o retorno de pessoas que entraram irregularmente em Ceuta.
O enclave espanhol, localizado no norte da África, é uma das principais portas de entrada para migrantes que tentam alcançar a Europa. Ao lado de Melilla, Ceuta é um dos poucos territórios da União Europeia com fronteira terrestre no continente africano.