A pesquisa Nexus/BTG de hoje é um soco no estômago de Lula, do STF, da mídia do PIX, da Faria Lima, dos isentões, da direita limpinha e até de aliados que enxergam problema em todo vídeo e qualquer fala de Flávio Bolsonaro. O 01 disparou quatro pontos, enquanto Lula recuou 1, reduzindo em cinco pontos a distância entre ambos e recuperando o patamar pré-crise Dark Horse. O senador não cresceu apenas nas intenções de voto de segundo turno (de 43% para 45%), mas também no primeiro (de 33% para 37%).
A certeza de voto entre os eleitores de Flávio atinge 80% após a convenção que ratificou seu nome como candidato do PL. Na prática, quem tinha alguma dúvida de sua candidatura, já não tem mais. Além do movimento partidário, há uma sensação generalizada de que o primogênito de Jair Bolsonaro sofre uma perseguição desarrazoada, como aconteceu com o próprio pai. Embora Flávio esteja distante daquela figura rústica e carismática, parece atrair a empatia do eleitorado anti-PT.
Depois de quase 30 anos acompanhando eleições, posso assegurar que o eleitor em geral não gosta de ver esse tipo de linchamento, que funciona como gatilho emocional. Na psicologia, ele é chamado de Efeito da Vítima Identificável. O contraste com um adversário direto poderoso transforma o voto em ato de salvamento, de justiça mesmo. Marqueteiros gostam de explorar esse fenômeno, muitas vezes apelando para a vitimização, o que pode ter efeito inverso.
No caso de Flávio, o fenômeno é real. Seu pai está preso por um ato de força, assim como tantos brasileiros comuns. Enquanto Lula e seu desgoverno são blindados com narrativas falaciosas, qualquer desvio moral ou sinal de falha por parte do senador são tratados como crime hediondo. Ninguém cai mais na conversa fiada da mídia e de seus especialistas. Todos sabem, em maior ou menor grau, que pedir patrocínio para um filme é diferente de roubar correntistas e aposentados, que rachadinha não se compara a um petrolão.
Ninguém quer saber mais de defesa de direitos dos manos enquanto as vítimas reais da violência urbana são anuladas por discursos cínicos e manchetes hipócritas. Todos sentem, no bolso e na fila do hospital, o estado de coisas inconstitucional que vivemos. E ninguém vive dentro da propaganda do PT. O exagero do sistema contra Flávio é uma realidade e sua principal propaganda, assim como foi com Jair em 2018. Não requer marqueteiro, alianças partidárias ou grandes discursos. Basta que o sistema siga batendo. Como a massa do pão, a tendência é crescer.