A Polícia Federal cancelou, pela terceira vez, o depoimento do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, no inquérito que investiga supostas fraudes bilionárias na instituição antes de sua liquidação.
O interrogatório estava marcado para esta segunda-feira (3), mas foi suspenso após novo pedido da defesa de Augusto Lima. Assim como nas ocasiões anteriores, os advogados solicitaram o adiamento da oitiva.
Esta é a terceira tentativa da Polícia Federal de ouvir o empresário, conhecido como “Guga Lima”. Os depoimentos anteriormente agendados, em janeiro e junho, também foram cancelados depois que a defesa informou que o investigado permaneceria em silêncio enquanto não tivesse acesso integral aos autos e às provas reunidas na investigação.
A expectativa dos investigadores é que o depoimento esclareça a relação entre o Banco Master e as empresas Tirreno e Cartus, apontadas pela PF como suspeitas de participação em um esquema de lavagem de dinheiro. A oitiva também deverá abordar a relação do grupo com o BRB, banco público do Distrito Federal.
Outra frente da investigação envolve a relação de Augusto Lima com o senador Jaques Wagner (PT-BA). A Polícia Federal apura a suspeita de que o parlamentar tenha recebido “vantagens econômicas indevidas” por intermédio do empresário.
Segundo a investigação, entre os supostos benefícios estaria a negociação de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões. Em uma das conversas interceptadas, Jaques Wagner encaminhou a Augusto Lima o contato do gerente da construtora acompanhado da mensagem: “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi.”
A PF também aponta que Augusto Lima e o senador mantiveram 74 ligações telefônicas entre novembro de 2023 e maio de 2025, somando cerca de cinco horas de conversas.
O depoimento de Jaques Wagner permanece marcado para a próxima sexta-feira (7), na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O senador nega ter cometido irregularidades e deverá prestar esclarecimentos sobre sua relação com o Banco Master.
Embora o primeiro político investigado na Operação Compliance Zero tenha sido o senador Ciro Nogueira (PP-PI), Jaques Wagner será o primeiro parlamentar a ser interrogado pela Polícia Federal. A expectativa da corporação é concluir ainda neste mês o primeiro relatório da investigação.