Como registramos mais cedo, André Mendonça autorizou mais uma fase da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo desvios no INSS. A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão contra a esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula e aliado histórico de Flávio Dino.
Weverton foi peça fundamental na derrubada da hegemonia do grupo de Sarney no Maranhão, articulando a ascensão de Dino ao governo em 2014 e em sua reeleição quatro anos depois, sendo então beneficiado com a máquina estatal para sua própria eleição ao Senado.
A simbiose entre os dois garantiu também o arrendamento e depois a tomada do controle do Sistema Difusora de Comunicação (afiliada do SBT no estado e rede de rádios), que pertencia à família de Edison Lobão e funcionava como braço de mídia do grupo de Sarney.
Já sob controle de Weverton, o grupo de mídia passou a ser irrigado com verba oficial e virou-se contra o velho oligarca, apoiando descaradamente o governo Dino e garantindo sua reeleição. Em 2022, porém, ambos romperam quando o senador foi descartado para suceder o comunista no governo. Sentindo-se traído, Weverton se aproximou da direita bolsonarista e do Centrão.
O rompimento, porém, durou pouco. Em 2023, quando Lula indicou Dino ao Supremo Tribunal Federal, coube a Weverton apresentar o relatório favorável, pacificando a relação. A reaproximação também foi motivada por um inimigo comum, o governador Carlos Brandão, ex-vice de Dino e seu sucessor.
WILLER TOMAZ
Outro alvo da operação de hoje, o advogado Willer Tomaz é considerado braço direito de Weverton. Foi Willer quem assumiu formalmente o Sistema Difusora, em 2020, colocando a rede de TV e rádio a serviço do projeto político conjunto de Weverton e Dino. Ele também promoveu a aproximação do pedetista com o Centrão, especialmente caciques do PP, como Ciro Nogueira e Arthur Lira, que viraram seus sócios.
Willer Tomaz foi o advogado da chapa PDT-Avante que lançou Ciro Gomes à Presidência em 2018. Logo após o primeiro turno daquele ano, ele assinou uma ação no TSE pedindo a cassação do registro e a inelegibilidade da chapa de Jair Bolsonaro após reportagem fake da Folha de S. Paulo sobre disparo em massa de mensagens de WhatsApp pela campanha bolsonarista. Pouca gente sabe, mas a aproximação de Flávio com Willer se deu num contexto de pacificação política por costura de Lira e Nogueira.
Em 2017, o advogado foi preso num desdobramento da Lava Jato após ser delatado por Joesley Batista e Francisco de Assis, acusado de subornar o procurador Ângelo Goulart para vazar informações das investigações contra o grupo. Anos mais tarde, a ação foi trancada pelo TRF-1, ironicamente, com voto favorável do relator Ney Bello, aliado histórico de Jose Sarney. A denúncia, porém, foi rejeitada por um placar apertado — 8 votos a 7.
Apesar da insistência da mídia do pix em enfatizar a relação de amizade entre Flávio e Willer, a verdade é que o advogado mantém uma ampla rede de contatos nos primeiros escalões da República, incluindo ministros do Supremo e do STJ. Ele é conhecido por reunir seus amigos poderosos numa mansão em Planaltina, a 75 km do Plano Piloto. O local, apelidado de ‘rancho’, tem heliponto, piscina, spa, área gourmet sobre a lagoa, quadra de tênis, campo de futebol profissional e uma adega subterrânea.
Dono de jatinhos e do maior iate de Brasília, Willer também costuma emprestar seus ‘mimos’ para charutadas e reuniões de trabalho de clientes e amigos.