O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e afirmou que espera que a “onda azul” – as vitórias da direita em eleições latino-americanas – também chegue ao Brasil.
Milei fez as novas declarações em entrevista ao canal La Casa Streaming nesta terça-feira (4). Ao ser questionado sobre Lula, o presidente argentino respondeu: “Sobre que eu disse no Brasil, a pergunta é: eu menti que o Lula foi condenado? Que o Lula é um ladrão, que é um corrupto, que esteve preso e que o tiraram da prisão por um argumento administrativo?”.
Em seguida, Milei foi perguntado se os seus comentários podem influenciar a eleição brasileira de outubro. “Esperamos que sim, esperamos que o Brasil também se pinte de azul, mas pelo bem dos brasileiros. Livrar-se dos corruptos ladrões é sempre bom. Livrar-se dos esquerdistas é sempre bom também”, disse o presidente argentino.
Perguntado pelo apresentador sobre as poucas vezes em que se encontrou com Lula, Milei afirmou que “é interessante, porque é uma das poucas pessoas que não me parabenizaram quando ganhei” a eleição de 2023.
“Imagino que tenha a ver com o fato de que ele interveio ativamente para que o outro candidato ganhasse a eleição”, disse, fazendo referência ao peronista Sergio Massa.
“Eduardo Bolsonaro disse que ele colocou US$ 1 bilhão na campanha”, acrescentou, fazendo referência a uma entrevista do ex-deputado brasileiro na qual este fez referência à liberação, avalizada pelo governo brasileiro, de um empréstimo de US$ 1 bilhão do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) à Argentina em 2023, quando Massa era ministro da Economia argentino.
“E além disso, não apenas isso, mas toda a estratégia, toda a campanha negativa que fizeram contra mim, e que continuam repetindo essas coisas, foi montada pelo grupo de assessores brasileiros do Lula”, afirmou Milei, citando os especialistas em comunicação enviados pelo PT para a campanha de Massa em 2023.
Este foi a quarta vez em dez dias que o presidente argentino fez declarações criticando Lula. Durante a convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo, realizada em 25 de julho e na qual o aliado Flávio Bolsonaro foi confirmado como candidato à presidência, Milei chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e o acusou de “espalhar o socialismo” pela América Latina.
No dia seguinte, em entrevista à Radio Mitre, ele afirmou em entrevista que Lula teria financiado uma campanha “anti-Argentina”.
No domingo (2), em entrevista ao canal LN+, Milei falou novamente do petista, ao afirmar que ele “foi solto por uma falha processual” e “não é inocente”, a respeito das condenações de Lula na Lava Jato. “O que é agressivo é quando alguém rouba. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”, disse Milei.
Lula reagiu às falas do presidente argentino, primeiro ironizando, ao perguntar “quem é esse cara?”, e depois afirmando que Milei veio fazer uma “patacoada” no Brasil.
“Vocês viram a patacoada que ele fez no final de semana. Eu não falei nada, porque minha relação é de chefe de Estado. Não vou ficar trocando coisa com aquela coisa”, afirmou Lula, durante a convenção do PSB na quarta-feira passada (29).