O ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União) e o deputado federal Fábio Garcia (União-MT) são alvos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta manhã (06). A investigação apura suspeitas de desvio de R$ 326 milhões em processos de precatórios relacionados a um acordo com a Oi.
A operação cumpre 25 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em Mato Grosso e também nos estados do Ceará, Rondônia e São Paulo.
Segundo a PF, os investigados teriam utilizado uma rede de fundos de investimentos para movimentar os recursos. Parte dessas estruturas teria ligação com o Banco Master, mas a participação de valores aplicados na instituição de Daniel Vorcaro ainda está em apuração.
A investigação aponta que Mendes e Garcia teriam utilizado informações privilegiadas para realizar as operações. A PF também apura possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro e delitos contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN).
“As investigações tiveram origem na análise de um acordo celebrado entre o estado de Mato Grosso e empresa privada de telefonia, envolvendo a restituição de valores decorrentes de disputa tributária”, afirmou a PF em comunicado.
De acordo com a corporação, há indícios de que uma operação financeira tenha sido usada para viabilizar o desvio de cerca de R$ 308 mi em recursos públicos, com participação de fundos e empresas de fachada para ocultar a origem, a movimentação e a destinação dos valores.
Além dos mandados de busca, a Justiça determinou medidas cautelares contra os investigados, incluindo apreensão de passaportes, proibição de contato entre os envolvidos, quebra dos sigilos bancário e fiscal e bloqueio de R$ 316 milhões em bens.
Os fatos investigados podem configurar, em tese, segundo a PF, “os crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada, sem prejuízo de outras infrações penais que venham a ser identificadas ao longo da investigação”.