Home Nóticias PF investiga aporte de R$ 97 mi do Iprev de Maceió no Master

PF investiga aporte de R$ 97 mi do Iprev de Maceió no Master

by admin
0 comentário

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (10) uma operação para investigar a aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em Letras Financeiras do Banco Master. A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão assinada em 8 de agosto.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Segundo a decisão, os recursos foram aplicados em duas operações. A primeira, de R$ 80 milhões, ocorreu em 6 de dezembro de 2023, no ativo LF002308EBU, com remuneração de IPCA + 7,60% ao ano. A segunda, de R$ 17 milhões, foi realizada em 13 de maio de 2024, no ativo LF002400CT4, com taxa de IPCA + 7,30% ao ano. Os dois papéis eram Letras Financeiras subordinadas emitidas pelo Banco Master.

A investigação apura, em tese, possível prática de gestão fraudulenta, além de eventuais crimes de desvio de recursos públicos, lavagem de capitais e organização criminosa. A PF sustenta que o processo de decisão para os aportes teria ocorrido com supressão de etapas de governança, ausência de estudos comparativos independentes e aceitação de propostas apresentadas pelo próprio banco beneficiário.

Na avaliação apresentada ao STF, esse conjunto de circunstâncias poderia indicar “possível direcionamento dos investimentos” e uma exposição considerada desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de maior risco e baixa liquidez.

Investimento teria ultrapassado limites previstos pelo Iprev

Um dos principais pontos considerados na decisão é a divergência entre a política oficial de investimentos do Iprev e a concentração efetivamente realizada no Banco Master.

De acordo com auditoria da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social citada pela PF, a Política Anual de Investimentos de 2023 previa uma estratégia-alvo de 0% para ativos de emissão bancária. Para 2024, o limite teria sido estabelecido em 5%.

Apesar disso, os investigadores apontam que os gestores mantiveram e ampliaram a exposição até patamares próximos de 20% dos recursos do regime próprio concentrados em um único emissor. A decisão reproduz a avaliação de que essa diferença poderia indicar que “a governança do instituto foi subvertida para atender a interesses alheios à proteção do erário”.

Mendonça, porém, ressalta que a divergência entre a política de investimentos e as aplicações “não prova, por si, fraude”. Para o ministro, o volume aplicado exigia uma explicação técnica documentada, considerada inexistente ou insuficiente nos elementos reunidos até aquele momento.

Outro ponto levantado é a natureza dos papéis adquiridos. Por serem Letras Financeiras subordinadas, os ativos tinham restrições de prazo e liquidez e não contavam com a garantia ordinária. A decisão afirma que uma operação dessa natureza exigiria análise sobre a solvência do emissor, cenários alternativos, concentração, liquidez e compatibilidade com as obrigações previdenciárias.

PF questiona credenciamento do Banco Master

A investigação também mira o processo utilizado pelo Iprev para credenciar o Banco Master e selecionar os ativos.

Segundo a PF, o procedimento teria sido baseado em material produzido pelo próprio banco, sem diligência suficiente sobre sua solidez patrimonial, histórico operacional, riscos reputacionais e eventuais processos sancionadores.

A decisão registra ainda que, na data do primeiro aporte, em dezembro de 2023, o Banco Master não constaria da “lista exaustiva” do Ministério da Previdência Social de instituições elegíveis para receber recursos de regimes próprios. De acordo com a investigação, a inclusão teria ocorrido apenas em 2024.

A PF também questiona a comparação feita pelo instituto antes das aplicações. Instituições com perfis de risco diferentes teriam sido colocadas nas mesmas cotações, o que, segundo a hipótese investigativa, não permitiria uma comparação efetiva entre produtos equivalentes.

Mendonça considerou necessário aprofundar a apuração para esclarecer “datas, autoria das consultas, respostas recebidas, critérios de comparação, taxas efetivamente disponíveis, eventual intervenção do Banco Master ou da consultoria e alterações posteriores nos registros”.

Quórum de reuniões entrou na investigação

Outro ponto destacado na decisão envolve a governança do próprio Iprev. A PF apontou que, na reunião do Conselho de Administração realizada em 27 de dezembro de 2023, na qual teria sido aprovada a política de investimentos para 2024, constavam apenas quatro assinaturas.

Segundo a legislação municipal citada na investigação, seriam necessários pelo menos sete membros para a instalação da reunião e seis votos favoráveis para a aprovação de propostas.

A PF também identificou uma aparente contradição entre a orientação registrada na ata, que previa uma estratégia conservadora e de minimização de riscos, e a aquisição de Letras Financeiras subordinadas com concentração elevada em um único emissor.

Para Mendonça, as falhas apontadas na governança justificam a busca por versões preliminares de documentos, convocações, mensagens, notas técnicas, votos, ordens e outras comunicações que possam revelar como as decisões foram efetivamente tomadas.

Consultoria também é investigada

A Crédito & Mercado de Valores Mobiliários Ltda., contratada pelo Iprev, aparece entre os alvos da investigação. Segundo a PF, a empresa teria participado do credenciamento, da elaboração ou validação de análises e da formação documental dos investimentos.

A polícia levanta a hipótese de que a consultoria possa ter ultrapassado a função de assessoria independente e participado de um eventual direcionamento em favor do Banco Master. A decisão determina que sejam examinados contratos, relatórios, pareceres, notas fiscais, registros de pagamentos, comunicações com o Iprev e com o banco e documentos relacionados a eventuais conflitos de interesse.

A decisão também registra que a Crédito & Mercado havia sido alcançada pela Operação Rebote, deflagrada em novembro de 2023 em investigação envolvendo outro regime próprio de previdência municipal. O documento menciona ainda que Renan Foglia Calamia, apontado como dirigente da consultoria, teria sido condenado em dezembro de 2025 pela 9ª Vara Federal de Campinas (SP) por gestão temerária relacionada à atuação perante o Instituto de Previdência de Santo Antônio de Posse (SP).

STF autoriza buscas e bloqueio de bens

Mendonça autorizou mandados de busca e apreensão contra seis investigados: Ronnie Reyner Teixeira Mota, Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, Renan Foglia Calamia, Marília Alexandre de Lima Alves, Marcelo Brasileiro Santos e João Felipe Alves Borges. As diligências também foram autorizadas na sede do Iprev de Maceió e da Crédito & Mercado.

A decisão permite a apreensão de computadores, celulares, mídias de armazenamento, documentos, agendas, contratos, extratos, comprovantes financeiros e credenciais relacionados aos fatos investigados. O ministro também autorizou o acesso a dados já armazenados em serviços de nuvem e ao conteúdo de aplicativos como WhatsApp e Telegram. A medida não permite interceptação de comunicações futuras.

Além das buscas, o ministro determinou o sequestro, arresto, bloqueio e indisponibilidade de bens, direitos e valores dos seis investigados até o limite global de R$ 97 milhões, correspondente ao valor das aplicações questionadas. A medida pode atingir ativos financeiros, imóveis, veículos, participações societárias, títulos, criptoativos e outros bens, observados os critérios estabelecidos na decisão.

O STF, contudo, negou o pedido de afastamento dos investigados de funções públicas ou atividades econômicas. Mendonça considerou, seguindo o entendimento da Procuradoria-Geral da República, que não havia elementos concretos suficientes para demonstrar risco atual de interferência nas investigações pelo exercício dos cargos.

O ministro também rejeitou as buscas contra Guilherme Emmanuel Lanzillotti Alvarenga, atual presidente do Iprev, e Francy Sthephany Sobreiro Barbosa de Souza. A PGR havia apontado que faltavam elementos mais sólidos sobre a ciência e a participação de ambos nos fatos investigados.

A decisão ainda determina que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central e a B3 forneçam informações para aprofundar a apuração. Entre os dados requisitados estão processos e relatórios de fiscalização sobre o Banco Master, informações sobre a situação prudencial da instituição e registros das duas Letras Financeiras adquiridas pelo Iprev, incluindo preços, taxas, participantes, intermediários e parâmetros de precificação.





Source link

You may also like

Design sem nome (84)

Sua fonte de notícias para brasileiros nos Estados Unidos.
Fique por dentro dos acontecimentos, onde quer que você esteja!

TV BRAZIL USA- All Right Reserved. Designed and Developed by STUDYO YO