Ação mira estrutura financeira e logística da facção em quatro Estados e bloqueia mais de R$ 17 milhões
A Polícia Civil do Maranhão e o Ministério Público do Maranhão deflagraram hoje (13) a Operação Hidra, contra núcleos operacional, financeiro e logístico do Comando Vermelho. A ação cumpriu mandados no Maranhão, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Pará e terminou com 15 prisões.
Um dos principais alvos foi David Oliveira Sodré, apontado pela polícia como um dos chefes da facção no Maranhão. Ele foi localizado na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, onde estaria escondido desde 2024. Segundo as investigações, mesmo fora do Estado, David continuava a comandar o tráfico em pelo menos seis municípios maranhenses.
Com ele, os policiais apreenderam uma pistola de uso restrito, munições, carregadores, um veículo de luxo e cadernos com anotações relacionadas ao tráfico.
Também foram presos no Rio Jadiely Marques de Araújo, apontada como companheira de David e responsável pela área financeira da organização, e Luan Cardoso da Silva, que teria ligação com os dois e com a facção.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 17.202.905,91 em bens e valores. A operação também prevê o sequestro de dez veículos e a interdição de um provedor de internet em Coelho Neto, no interior do Maranhão.
Ataque a provedor deu origem à investigação
A investigação começou em 12 de setembro de 2025, após um ataque contra um provedor de internet em Brejo (MA).
Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu depois que o proprietário da empresa se recusou a pagar uma cobrança feita por integrantes da facção. O valor era tratado pelos criminosos como uma espécie de “caixinha”.
As cobranças teriam sido divulgadas por integrantes do grupo em grupos de WhatsApp e redes sociais.
Com o avanço das apurações, os investigadores identificaram uma estrutura do CV formada por lideranças, executores de ordens, disciplinadores, traficantes e operadores financeiros.
A investigação também aponta que integrantes da facção criaram um provedor de internet em Coelho Neto para inserir no mercado formal valores de origem supostamente criminosa. A empresa foi interditada durante a operação.
Os investigados são suspeitos de integrar organização criminosa armada e de participar de crimes como tráfico de drogas, extorsão, lavagem de dinheiro e domínio territorial. A polícia também apura cobranças feitas a prestadores de serviços essenciais.
Mandados em quatro Estados
No Maranhão, oito pessoas foram presas em Chapadinha, Coroatá, Santa Quitéria, Brejo e Coelho Neto.
A operação também chegou a Nova Mutum (MT), onde duas mulheres foram presas. De acordo com a investigação, elas pertencem a uma família apontada como responsável pela liderança do Comando Vermelho em Coelho Neto e atuavam na movimentação financeira da organização.
No Pará, dois homens apontados como operadores financeiros foram presos em São Miguel do Guamá e Bragança.
Ao todo, a Operação Hidra cumpre 21 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão. As medidas foram ampliadas para outros Estados após a identificação de integrantes ligados à estrutura do Comando Vermelho no Maranhão.