O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação contra o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) e o Movimento Renovação Liberal, responsável pelo Movimento Brasil Livre (MBL), por declarações feitas em vídeos publicados nas redes sociais sobre povos indígenas do Baixo Tapajós, no Pará.
A ação, apresentada na segunda-feira (17), pede a responsabilização civil dos envolvidos e o pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos às 14 etnias mencionadas no processo.
Segundo o MPF, as manifestações foram publicadas durante a repercussão de protestos indígenas ocorridos em janeiro de 2026 no terminal da empresa Cargill, em Santarém (PA). O órgão afirma que Renan utilizou expressões como “vagabundos”, “picaretas” e “malandros”, além de dizer que os indígenas “vivem de mamata” e deveriam ser colocados para trabalhar.
O Ministério Público também sustenta que as publicações ultrapassaram a crítica aos protestos e atingiram a identidade étnica das comunidades. Na avaliação apresentada à Justiça, os vídeos questionaram a legitimidade dos povos indígenas e reproduziram estereótipos considerados ofensivos.
MPF pede retirada dos vídeos
Além da indenização, o MPF solicitou que os vídeos sejam removidos das contas de Renan Santos e do MBL no Instagram. O órgão também pede que o candidato e o movimento publiquem uma retratação em vídeo nos mesmos perfis.
Na ação, o Ministério Público afirma que as declarações, divulgadas em plataformas de amplo alcance e associadas à projeção política de Renan, teriam ultrapassado os limites da crítica e do debate público.
Renan contesta ação
Renan Santos reagiu ao processo e classificou a iniciativa do MPF como “bizarra”. O candidato afirmou que suas críticas estavam relacionadas à ocupação do terminal da Cargill e aos impactos do protesto sobre o transporte de cargas.
Durante o 11º Fórum CNT de Debates, em Brasília, Renan disse que havia denunciado o que chamou de atuação de “supostos indígenas criminosos” em uma manifestação que, segundo ele, teria deixado caminhoneiros parados por vários dias.
“Isso prejudica não só o Pará, mas também o Mato Grosso, destruindo a possibilidade de construção de uma hidrovia que se conectaria com ferrovias e rodovias, melhorando o escoamento da nossa produção”, afirmou.
Em vídeo divulgado após a ação, Renan voltou a criticar o protesto e afirmou que, caso seja eleito, pretende investigar organizações não governamentais e grupos que, segundo ele, utilizem povos indígenas ou quilombolas para impedir projetos de desenvolvimento.
O candidato também afirmou que pretende criar uma CPI para investigar essas organizações e declarou que entidades estrangeiras que atuem dessa forma deverão ser retiradas do país.
A ação do MPF ainda será analisada pela Justiça Federal.